Jovens com variante de gene lidam melhor com pais problemáticos

Estudo foi feito em famílias com histórico de abuso de substâncias químicas, problemas mentais e com a justiça

Alessandro Greco, especial para o iG |

Crianças e adolescentes que tem uma variação em um gene ligado ao sistema de compensação no cérebro parecem lidar melhor com o fato de terem pais que abusam de substâncias químicas, tem problemas mentais ou com a justiça do que aquelas que não têm a variante. Ao menos é o que mostra uma pesquisa feita nos Estados Unidos e que foi publicada nesta quarta-feira (16) na revista Neuropsychopharmacology.

O gene, que codifica um receptor celular de neurotransmissores chamado receptor mu opióide, já havia demonstrado em outros estudos que eram importante para o comportamento social de macacos rhesus e camundongos. “Estávamos certos da importância do sistema opióide na mediação de aspectos ligados à compensação durante a interação social. O que não sabíamos ainda era se uma pequena mudança em um gene que codifica para um receptor opióide seria significativa”, afirmou ao iG William Copeland, autor da pesquisa, e professor da Universidade de Duke, nos Estados Unidos.

A pesquisa, feita com 226 crianças e adolescentes com idades entre 9 e 17 anos, mostrou que aquelas que vieram de lares problemáticos e tinham a variante do receptor tiveram menos brigas e mais interações prazerosas com seus pais do que aquelas que não tinham a tal variante. Uma associação semelhante, no entanto, não ocorreu com as crianças que vieram de lares estáveis.

A descoberta de que quem tem um gene que regula opióides consegue, ainda quando criança, ter uma relação melhor com pais problemáticos do que as que não tinham o gerou outra dúvida. Os pesquisadores queriam saber qual era o motivo de uma variação genética como esta sobreviver ao longo do tempo.

“Um motivo para que ela seja conservada é que pode conferir uma vantagem evolutiva em algumas situações. Neste caso, ao aumentar a sensibilidade de compensação, o receptor mu opióide pode aumentar os laços sentimentais em situações em que os pais não estão”, explicou Copeland.

Por isso entender a relação entre genética e relações sociais é uma atividade crítica. “O relacionamento interpessoal é fundamental no desenvolvimento normal [de uma pessoa] além de ser importante também para entendermos as causas e origens boa parte dos mais importantes distúrbios psiquiátricos”, afirmou.

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