Japoneses criam novo sistema para gravar imagens 3D em cores

Técnica usa raios laser para gravar holograma que depois pode ser exibido de qualquer ângulo, preservando as cores originais

Carlos Orsi, especial para o iG |

Science Tarot/ Arte Janelle Schneidernce/AAAS
Imagem holográfica e colorida de maçã
Cientistas japoneses apresentam nesta quinta-feira, 7, uma nova tecnologia que permite gravar imagens tridimensionais preservando a cor natural do objeto registrado, e que podem ser vistas sob iluminação normal. Atualmente, a holografia – um sistema que usa raios laser para gerar imagens em três dimensões – só é capaz de fazer gravações monocromáticas, e requer luz laser para ser exibida.

Enquanto as técnicas de filmagem e exibição em 3D usadas no cinema e em alguns aparelhos de televisão se valem de uma ilusão de ótica para gerar a impressão de profundidade na tela, os hologramas criados com laser são capazes de realmente registrar um objeto por inteiro.

“O laser, no entanto, é uma fonte de luz monocromática”, explicou ao iG um dos criadores da nova técnica, Satoshi Kawata, da Universidade de Osaka. E para “ler” um holograma tradicional – recuperando a imagem registrada no filme – também é preciso usar um laser. “Já o nosso holograma pode ser visto em cor total e sob luz normal, seja do sol, de uma lâmpada comum ou fluorescente”, diz o cientista, que descreve a técnica no periódico Science .

Para conseguir esse feito, os pesquisadores se valeram de três lasers – um azul, um verde e um vermelho, o mesmo sistema de cores primárias usado nas imagens coloridas de televisão – para registrar o holograma num “filme”, na verdade uma resina sensível à luz. Isso fez com que o filme contivesse três imagens monocromáticas, gravadas de ângulos diferentes.

Em seguida, esse filme teve sua face superior revestida por uma fina película de prata, coberta com uma camada extremamente delgada de silício, e foi apoiado sobre uma placa de vidro. Quando luz branca comum é lançada através do vidro, a imagem 3D colorida se forma a partir do holograma. 

Diferentemente dos “hologramas” coloridos de cartão de crédito, que se valem de um efeito de sobreposição de imagens feitas em ângulos diferentes, semelhante ao usado no cinema, o holograma laser colorido não muda a coloração à medida que o observador varia seu ponto de vista, mas preserva as cores originais do objeto registrado em todos os ângulos.

Science/AAAS
Um dos hologramas criados com a nova técnica
O segredo está na película de prata. De acordo com Kawata, os elétrons do metal “filtram” a luz branca, que é uma mistura de todas as cores do arco-íris, recriando as tonalidades originais.

“Nós usamos uma ressonância coletiva dos elétrons na camada metálica", explica ele. Em certas circunstâncias, os elétrons podem se comportar, coletivamente, como se fossem uma só partícula.

Essa configuração, chamada de quase-partícula, recebe o nome de plásmon, e por isso a técnica foi batizada de holografia de plásmons.

"Apenas uma certa frequência, que corresponde a uma certa cor de luz, é selecionada pelos plásmons para produzir a imagem, e essa seleção depende do ângulo”, completa Kawata. Assim, quando o observador muda seu ponto de vista, ele vê as cores, tons e sombras gerados de acordo com o novo ângulo.

O pesquisador afirma que, até agora, sua equipe só criou “fotografias, ou melhor, esculturas” e não peças de cinema. “A imagem em movimento fica para o futuro, mas é basicamente possível”.

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