Impulsividade pode estar nos genes

Pesquisa mostra que em população da Finlândia uma mutação específica está fortemente relacionada à atitudes impulsivas

Alessandro Greco, especial para o iG |

Getty Images
Por que alguns não "olham antes de pular": a resposta pode estar nos genes
Há um velho ditado que diz: olhe antes de pular -- ou seja, pense antes de agir. Alguns levam isso mais a sério que outros, e cientistas descobriram que a genética pode ter um papel importante nisso. Em particular, entre os finlandeses, que têm uma mutação genética específica aumenta brutalmente a impulsividade.

A mutação que pode levar a um comportamento altamente impulsivo está localizado no gene HTR2B de um receptor da serotonina e foi descrita na edição desta quarta da revista especializada Nature. A descoberta foi feita sequenciando-se o DNA de 96 homens finlandeses com ficha criminal devido à histórico de comportamento violento e de homens também finlandeses sem histórico policial (grupo de controle).

O resultado mostrou que o primeiro grupo (das pessoas violentas) tinha três vezes mais a mutação no HTR2B do que o grupo de controle. Inclusive os 17 homens com ficha criminal que carregavam a mutação, chamada de HTR2B Q20*, haviam cometido uma média de cinco crimes violentos, 94% deles sob efeito de álcool. Os crimes foram basicamente reações desproporcionais a situações banais, sem premeditação nem ganho potencial. A mutação, segundo os pesquisadores é específica da população finlandesa.

Os pesquisadores contaram também com a sorte, além da capacidade científica e a moderna tecnologia de sequenciamento de DNA existente, para fazer a descoberta. “Sequenciamos apenas 14 dos cerca de 25 mil genes humanos e eu não imaginei que seríamos tão espertos de escolher o gene certo”, afirmou ao iG David Goldman, um dos autores do estudo, do Instituto Nacional de Abuso de Álcool e Alcoolismo, dos Estados Unidos. Para validar a relação entre o HTR2B e a impulsividade, os pesquisadores fizeram um teste: desligaram o gene em camundongos. O resultado foi que com ele inativo, os roedores também ficavam mais impulsivos.

A identificação de mutações genéticas como a do HTR2B servem muito mais para entender a relação entre genética e comportamento humano do que para criar testes que possam prever se uma pessoa será ou não impulsiva. “Ela pode deixar clara as origens genéticas e não-genéticas do comportamento impulsivo. Em particular os estudos de interação gene versus ambiente somente são poderosos se sabemos qual o papel dos genes”, explica Goldman. E completa: “Na minha visão o maior benefício […] é no entendimento de como as pessoas se tornam impulsivas e no estudo clínico de problemas relacionadas à impulsividade como, adicção e suicídio”.

    Leia tudo sobre: impulsividademutaçãoHTR2B

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG