Impressão biológica: o próximo passo da medicina

Pesquisadores desenvolvem cartilagens e pele em impressoras 3D

Natasha Madov, enviada a Washington |

Cornell University
Impressora 3D usa gel com células humanas, que pode ser montados em formatos de órgãos e depois implantados no corpo humano
Precisa de uma orelha, de um menisco ou de um enxerto de pele? Aperte a tecla imprimir e continue a cirurgia. Cientistas americanos apresentaram nesta segunda-feira (21) durante a reunião da Sociedade Americana para o Avanço da Ciência (na sigla em inglês AAAS) projetos para criar órgãos humanos a partir de robôs que podem criar objetos tridimensionais em questão de minutos.

O processo, conhecido como impressão em 3D, usa materiais diversos, como silicone, cêramica e metais, que são usados para construir, camada a camada, objetos dos mais diversos – mais ou menos como um bico de confeiteiro faz decorações com glacê em um bolo. Um dos materiais mais promissores são os géis com células humanas, que podem ser montados em formatos de órgãos e depois implantados no corpo humano.

Hod Lipson, professor da Universidade de Cornell, disse que por enquanto, apenas estruturas mais simples, como cartilagens, estão sendo testadas. ˜Quanto mais complexo o tecido, maior o desafio,” explicou durante apresentação à imprensa.

Atualmente, o grupo de Lipson faz testes com meniscos (cartilagens do joelho) e válvulas cardíacas, mas os testes estão ainda na fase inicial. “No laboratório, o menisco ‘impresso’ mostrou as mesmas propriedades da cartilagem natural, mas ainda precisamos fazer testes em animais para ver como ele se comporta dentro do corpo,” disse.

Vídeo: Impressora 3D poderia imprimir tecidos biológicos

Lipson fez uma demonstração da impressora 3D, que montou uma orelha com material não biológico em cerca de 20 minutos.

Direto na pele
Outros grupos procuram diversificar as aplicações da impressora 3D, e já podem apresentar resultados promissores. James Yoo, da Universidade Wake Forest, narrou seus esforços com impressão 3D de pele artificial, diretamente no corpo do paciente. “Estamos testando a tecnologia para ajudar pacientes com queimaduras graves”, afirmou. A pesquisa tem como objetivo ser aplicada em hospitais militares, durante guerras. Woo criou um scanner que mede a área da pele afetada e a extensão da queimadura, e programa a impressora para produzir a quantidade de camadas de pele necessária.

A tecnologia já está sendo testada em animais, com resultados promissores: “As células de pele sobrevivem ao processo de impressão e implantação no organismo, e conseguem se reproduzir”, contou Woo. Mas mais testes precisam ser feitos para descobrir como a pele “impressa”será rejeitada ou incorporada ao organismo de maneira satisfatória.

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