Imagens em 3D mostram porque as cobras perderam os membros

Fóssil do período Cretáceo seria intermediário entra serpentes e lagartos, segundo imagens tridimensionais de raios-x

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Cientista apontam para pata descoberta em fóssil de cobra, através de novas tecnologias de imagem
Imagens tridimensionais de raios-X ultranítidas de um fóssil de 95 milhões de anos encontrado no Líbano lançaram luz sobre como as cobras evoluíram de lagartos com patas, anunciaram cientistas em um estudo publicado nesta quarta-feira no Jornal de Paleontologia de Vertebrados.

O fóssil de Eupodophis desouensi , medindo 50 centímetros, revela uma pequena pata posterior presa à pélvis do animal. Ela estava enterrada debaixo de seu corpo e só se tornou visível graças à nova técnica.

A descoberta reforça teorias segundo as quais as cobras teriam evoluído dos lagartos, até que finalmente perderem os membros totalmente, após terem sido bem-sucedidas em hábitats onde rastejar ou deslizar lhes deu uma vantagem.

As novas imagens mostram que o E. desouensi neste momento do período Cretáceo estava no meio do caminho desta mudança.

A pata residual aparece dobrada em sua articulação, com vestígios de ossos do pé ou de dedos.

"Fósseis como este são chave para compreendermos a origem das cobras porque eles mostram uma etapa intermediária do desenvolvimento" destes animais, explicou Alexandra Houssaye, paleobióloga do Centro Nacional de Pesquisas Científicas francês (CNRS, na sigla em francês).

A imagem foi obtida mediante uma técnica denominada laminografia de síncrotron, que usa raios-X de alta resolução para sondar abaixo da superfície e identificar detalhes de até alguns milionésimos de metros de comprimento.

Foi feita uma rotação de 360 graus no fóssil enquanto este foi escaneado, o que forneceu uma imagem tridimensional similar à popular tomografia computadorizada empregada em hospitais.

O E. desouensi foi descoberto há 10 anos e causou comoção na época porque uma pequena pata traseira com apenas dois centímetros de comprimento foi encontrada na superfície do fóssil. Especialistas ponderaram, durante muito tempo, se uma segunda pata traseira poderia ser vista.

Não há vestígios de patas dianteiras, o que indica que estes membros já tinham sido eliminados, sob pressão da evolução.

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