Imagens do Hubble permitem prever 10 mil anos de movimento de estrelas

Cientistas registram as medidas mais precisas já tomadas dos movimentos das mais de 100 mil estrelas do aglomerado Omega Centauro

BBC Brasil |

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NASA, ESA, e G. Bacon - STScl
Ilustração mostra a posição das estrelas de Omega Centauro no futuro
Astrônomos americanos usaram imagens feitas pelo telescópio espacial Hubble, da agência americana Nasa, para prever os movimentos de um grupo de estrelas nos próximos dez mil anos.

O telescópio fez imagens do aglomerado globular Omega Centauro, um grupo de estrelas que chama a atenção de observadores desde que foi catalogado por Ptolomeu há 2 mil anos, entre 2002 e 2006.

Ao analisar as imagens deste período de quatro anos, os cientistas conseguiram registrar as medidas mais precisas já tomadas dos movimentos das mais de 100 mil estrelas do aglomerado, a maior pesquisa já feita para estudar o movimento de estrelas em qualquer aglomerado.

Os astrônomos usaram as imagens em sequencia para criar um filme mostrando os movimentos acelerados das estrelas do aglomerado. A simulação mostra o movimento projetado das estrelas nos próximos dez mil anos.

"São necessários programas de computador de alta velocidade, sofisticados, para medir as mudanças minúsculas nas posições das estrelas, que ocorrem apenas em um período de quatro anos", afirmou o astrônomo Jay Anderson, do Instituto de Ciência Espacial Telescópica de Baltimore, nos Estados Unidos, um dos responsáveis pela pesquisa.

Anderson, afirmou que a "visão muito precisa do Hubble foi a chave para nossa habilidade de medir movimentos estelares neste aglomerado".

"Com o Hubble você pode esperar três ou quatro anos e detectar os movimentos das estrelas de forma mais acurada do que se você estivesse esperado 50 anos (usando um) telescópio na Terra", afirmou o astrônomo Roeland van der Marel, que também participou da pesquisa.

Hemisfério sul

Identificado como um aglomerado globular de estrelas em 1867, Omega Centauro é um dos cerca de 150 aglomerados deste tipo na Via Láctea.

O grande grupo de estrelas é o maior e mais brilhante aglomerado da galáxia. Ele é localizado na constelação de Centauro e é um dos poucos que pode ser visto a olho nu no hemisfério sul.

O antigo astrônomo Ptolomeu catalogou Omega Centauro pela primeira vez há 2 mil anos. No entanto, ele pensou que o aglomerado era apenas uma estrela, pois não sabia que era, na verdade, um grupo de cerca de 10 milhões de estrelas orbitando em volta de um centro de gravidade comum.

As estrelas estão tão próximas umas das outras que os astrônomos tiveram que esperar pela criação e lançamento do telescópio Hubble para olhar no centro do grupo e analisar as estrelas individualmente. E a visão precisa do telescópio também permitiu aos cientistas medir o movimento de várias destas estrelas em um período relativamente curto de tempo.

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