Trabalho foi feito com camundongos e abre portas para entender fobias e ansiedades a nível neuronal

Novos estudos entendem melhor como o medo se forma nos neurônios
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Novos estudos entendem melhor como o medo se forma nos neurônios
Ter medo é uma sensação que envolve grupos altamente especializados de neurônios que possuem funções diferentes. Um estudo liderado por Andreas Luthi, do Instituto de Pesquisa Biomédica Friedrich Miescher, na Suíca, descobriu que um grupo deles está ligado a adquirir medo e outro a responder ao medo condicionado – sensação que ocorre na segunda vez em que se passa por uma mesma situação desagradável e surge o medo associado ao que ocorreu da primeira vez

O estudo, publicado nesta quarta pela revista Nature, foi feito com camundongos e mostrou que os dois grupos de neurônios estão localizados na região do cérebro conhecida como amigdala central. A aquisição ativa neurônios na subdivisão lateral da amígdala central enquanto a resposta ao medo condicionado está na subdivisão medial. Outro trabalho também publicado nesta edição da Nature por David Anderson e Wulf Haubensak, do Instituto de Tecnologia da Califórnia, identificou um microcircuito dentro da subdivisão lateral (a que está relacionada à aquisição do medo) que ajuda a controlar o nível de “congelamento” de ações que ocorre como resposta ao medo condicionado. “Este tipo de estudo nos ajuda a entender melhor a função relacionada a comportamento dessas células e a manipulá-la”, explicou Anderson ao iG . E completou: “Entender o papel de tipos específicos de células na amigdala é a chave para aprender como o circuito funciona e como ele é influenciado por fatores genéticos e ambientais”. Os dois trabalhos podem também, no futuro, ajudar a entender certos distúrbios. “Por exemplo, o que acontece em doenças psiquiátricas como ansiedade, fobias e estresse pós-traumático”, afirmou Anderson.

Como o medo altera o cérebro
Outro estudo publicado na última segunda pela revista Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS) mostra como áreas específicas do cérebro se alteram de acordo com a quantidade de medo e como o estímulo se apresenta. O trabalho, liderado por Dean Mobbs, do Conselho de Pesquisa Médica do Reino Unido, foi feito com tarântulas, que assustam pela aparência embora não sejam venenosas para o ser humano.

No trabalho, vinte voluntários viram um vídeo ao vivo no qual parecia que os pesquisadores estavam colocando uma tarântula se aproximando ou distanciando do pé deles – o vídeo era, na verdade, pré-gravado. Os pesquisadores analisaram a atividade cerebral dos voluntários com ressonância magnética funcional, que permite ver em tempo real o que acontece com os neurônios, no momento em que o vídeo passava.

Eles observaram uma maior atividade no centro de resposta relacionado ao pânico, entre eles a amígdala e o núcleo da base da estria terminal, quando a tarântula ia na direção dos participantes do que quando ela se afastava. Detalhe: não interessava a distância absoluta em relação ao pé. Ou seja, mesmo que a tarântula estivesse vindo de encontro ao voluntário de longe, o medo sentido era maior do que no caso de ela estar indo embora de pertinho.

Os pesquisadores observaram também que a atividade cerebral em certas regiões variou conforme a trajetória e que algumas delas somente se ativavam em situações de medo extremo ou quando a aranha estava o mais longe possível do voluntário. Segundo os pesquisadores o trabalho pode também ser “uma fonte fértil para entender o medo exagerado observado em pessoas com fobias”. 

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