Estudo mostra que Neandertais e homem de Denisova introduziram variações de gene fundamental para o sistema imunológico do corpo

Estátuas representando neandertais, na Alemanha: gene HLA foi herança deles e do homem de Denisova
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Estátuas representando neandertais, na Alemanha: gene HLA foi herança deles e do homem de Denisova
A relação entre os primeiros homens modernos e dois de seus ancestrais, os Neandertais e o homem de Denisova, parecem ter sido essenciais para que variantes de um gene fundamental para o sistema imunológico aparecessem pela primeira vez no genoma humano. É o que mostra uma pesquisa publicada nesta quinta-feira (25) no periódico Science.

O gene, o HLA, é conhecido por sua importância para o sistema imunológico. “Ficamos muito surpresos com o resultado. Primeiro por variantes arcaicas do HLA terem tanta influência no HLA moderno em comparação com a extensão da mistura genética. Segundo, pelo estudo de um Denisova e três Neandertais ter nos dado tantas informações sobre a evolução do HLA na população humana moderna”, afirmou ao iG Peter Parham, da Universidade de Stanford, nos Estados Unidos, um dos autores do artigo. E completou: “A descoberta mostra o tamanho da importância do mecanismo de recombinação genética para criar diversidade no sistema imunológico e que o cruzamento entre humanos arcaicos e modernos foi um mecanismo poderoso de recombinação que permitiu a aquisição de funções novas e refinadas”.

Foi a primeira vez que se provou, segundo ele, uma transferência de genes arcaicos para o homem moderno. “Do meu conhecimento, estes diversos fatores HLA são os primeiros exemplos de genes funcionais sendo transferidos do humanos arcaicos para modernos”, afirmou.

Os tipos de HLA originários dos Denisovas (de quem se conhece apenas um osso de dedo e um dente) e dos Neandertais acabaram se fixando em populações da Europa/Ásia e do Pacífico Sul e atualmente estão presentes em mais da metade da população da Europa/Ásia.

As variações teriam sido adquiridas quando o homem moderno saiu da África. Estes não devem ser, no entanto, os únicos genes a terem sido transferidos para o homem moderno desta forma. “O sistema reprodutivo e nervoso provavelmente também incluem variantes de genes adquiridos”, explicou Parham. Parte da base do trabalho apresentado pelo periódico foi baseado no trabalho da pesquisadora brasileira Maria-Luiza Petzl Erler, da Universidade Federal do Paraná, em Curitiba.

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