Pesquisadores encontraram restos humanos no sul da China que mostram que os dois habitaram o Ásia na mesma época

A convivência entre o homem moderno e o de Neandertal pode ter sido mais extensa do que se imaginava. Em artigo publicado nesta segunda-feira na revista Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS), pesquisadores liderados por Erik Trinkaus da Universidade de Washington, em Saint Louis, nos Estados Unidos, e Wu Liu, da Academia de Ciências da China, encontraram restos de humanos modernos, entre elas uma mandíbula e dois dentes, com mais de 100 mil anos. O achado é 60 mil anos mais velho do que os restos até então conhecidos do homem moderno na região.

O trabalho indica que o homem moderno e outros hominídeos arcaicos, como o homem de Neandertal, conviveram por mais de 50 mil anos na região da Ásia. “Inicialmente ficamos surpresos com a descoberta. Sempre esperei e publiquei recentemente, ano passado, que o homem moderno estava restrito a áreas da África equatorial até 50 mil anos atrás. Agora parece que ele se espalhou pelo sul da Ásia ou pela Europa há duas vezes mais tempo do que isto, embora não tenha ido para o norte da Ásia ou para dentro da Europa até 50 mil anos atrás”, disse Trinkaus ao iG

A conclusão está em linha com outra descoberta feita em maio por uma equipe internacional de pesquisadores que sequenciou o genoma do homem de Neandertal. Eles concluíram que de 1% a 4% do genoma humano provêm do homem de Neandertal, que apareceu há cerca de 400 mil anos e se extinguiu há 30 mil anos. Segundo eles, essa transferência genética deve ter ocorrido de 50 mil a 80 mil anos atrás, provavelmente quando os primeiros homens modernos ( Homo sapiens ) saíram da África, berço da humanidade, coincidindo com a presença dos homens de Neandertal na Ásia. 

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