Hologramas entregam 3-D sem necessidade de óculos

Novas tecnologias permitem que se transmitam imagens em três dimensões de um lugar a outro

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Arquitetos observam planta em 3D sem a necessidade de óculos
Quando o famoso holograma da princesa Leia diz: “Me ajude, Obi-Wan Kenobi”, em Star Wars, tudo não passa de ficção científica. Mas agora você pode assistir hologramas reais em movimento que são filmados em um ponto e, em seguida, projetados e visualizados em outro.

“O holograma é mais ou menos do tamanho e da resolução da princesa Leia no filme”, disse Nasser Peyghambarian, um cientista ótico da Universidade do Arizona e líder de uma equipe de pesquisa que demonstrou recentemente a tecnologia, segundo a revista Nature.

Os hologramas não são tão rápidos quanto os de Hollywood. A princesa se move muito mais devagar – a exibição muda de quadro apenas a cada dois segundos, muito mais lento do que, por exemplo, os 30 quadros por segundo de um vídeo. Mas, ao contrário da ficção científica, os hologramas estão realmente acontecendo e em tempo quase real: um sujeito é filmado em uma sala, os dados processados por um computador são enviados via Ethernet para outra sala e, em seguida, feixes de laser começam a trabalhar. Pronto: sua telepresença holográfica aparece e se move, ainda que aos solavancos, em detalhes aparentemente sólidos (até alguém passar a mão por ele).

Pesquisas inovadoras em holografia estão acontecendo nos laboratórios e empresas de todo o mundo, disse Lisa Dhar, gerente de tecnologia sênior da Universidade de Illinois, Urbana-Champaign, que é especialista em materiais holográficos.

"Os grupos estão implantando novos materiais e métodos para criar um trabalho convincente" de hologramas tanto fixos quanto móveis, disse Dhar.

O trabalho tem implicações muito além dos laboratórios, disse. Poderemos ter de esperar uma década para ver filmes holográficos em casa, mas mesmo antes da tecnologia ser usada para jogos e entretenimento, seu uso promete aplicações em publicidade, arquitetura, engenharia e forças armadas.

A Zebra Imaging, em Austin, Texas, vende impressões holográficas que à primeira vista parecem simples pedaços de 2 por 3 metros de plástico – até que uma lanterna LED ilumina através deles. Em seguida, os padrões, gravados no plástico com laser de alta potência, vêm à vida, disse Al Wargo, chefe-executivo da companhia. Da sua superfície surge um modelo de um edifício complexo ou uma intrincada rede de tubulações e equipamentos mecânicos.

Não é necessário o uso de óculos especiais para visualizar as estampas holográficas, que normalmente custam entre US$ 1.000 e US$3.000 cada. A empresa também demonstrou protótipos de holográficos móveis em conferências, disse Wargo. (Ele apresentou hologramas coloridos em setembro.)

O principal cliente da Zebra tem sido o Departamento de Defesa, que envia dados em arquivos de computador para a empresa. A Zebra em seguida processa exposições holográficas, por exemplo, de campos de batalha no Iraque e no Afeganistão.

Muitas empresas também são clientes da Zebra, incluindo a FMC Technologies, em Houston, que usa hologramas de equipamentos de campo de petróleo para vendas e treinamento.

Adam Andrich, gerente de marketing global para controle de fluídos na FMC, diz que os hologramas são substitutos úteis quando a empresa quer demonstrar o seu equipamento de 22 toneladas em feiras.

"Os hologramas são muito mais leves", disse ele, e criam um efeito impressionante ao cintilar no ar. "Eles são tão realistas que cada vez que os mostramos, as pessoas tentam agarrá-los", disse.

As estampas holográficas também podem encontrar uso entre arquitetos e engenheiros. Tina Murphy, uma engenheiro de projetos na HNTB em Indianápolis, diz que usa simulações tridimensionais para planejar uma construção, mas os hologramas também podem ajudar a comunicar, especialmente com um grupo. "Nós podemos mostrá-lo aos operadores da fábrica, advogados, reguladores e engenheiros", disse ela. "Com esta imagem única, todos podemos nos comunicar".

Os hologramas são uma alternativa barata para volumosos e muitas vezes frágeis modelos físicos de madeira ou isopor, diz Jared Smith, vice-presidente sênior da Parsons Brinckerhoff em Seattle, um escritório de arquitetura, planejamento e engenharia.

"Coloque-os em um portfólio e carregue-os consigo", disse ele. "Então, use uma luz sobre eles para ver os edifícios em três dimensões".

Na Universidade do Arizona em Tucson, Peyghambarian criou sua mostra com 16 câmeras. Um software especializado transformou as imagens em pixels holográficos e raios laser dirigidos pelo programa gravaram as informações em um plástico que pode ser apagado e regravado em dois segundos. Peyghambarian diz que o grupo está trabalhando para acelerar o processo e espera que versões do produto estejam disponíveis para consumo em casa em sete a 10 anos. Versões mais lentas podem ser úteis muito antes, por exemplo, para consultas médicas a distância.

Para ajudar a tornar as ligações de longa distância possíveis, Keren Bergman, professora de engenharia elétrica na Universidade de Columbia, em Nova York, está trabalhando em maneiras de enviar hologramas não apenas de sala para sala, mas também do Arizona para Nova York através da internet. Bergman e Peyghambarian estão colaborando, como parte da pesquisa conjunta financiada pela Fundação Nacional de Ciência.

Espera-se que, um dia, ela possa chamar as pessoas até seu laboratório por telepresença holográfica, assim como Alexander Graham Bell uma vez convocou Thomas Watson ("Vem aqui!") com um telefonema histórico. Para marcar esse momento memorável, talvez ela encontre uma boa citação em "Star Wars".

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