Holografia em tempo quase real é possível

Sistema, que não utiliza computador, mostra imagens policromáticas, em 3D. Segredo está no novo polímero utilizado.

Maria Fernanda Ziegler, iG São Paulo |

Divulgação/Nature
Imagem holográfica e atualizável de um avião F-4 Phantom criado em um polímero polirrefrativo
A realidade virtual, só que sem óculos, está ainda mais próxima. Cientistas da Universidade do Arizona demonstraram nesta semana uma tela holográfica que pode representar uma cena multicolorida e em 3D passada de outro local e, o mais importante, com atualização quase que em tempo real. A descoberta pode levar a novas aplicações da tecnologia holográfica em 3D, inclusive na indústria do entretenimento e em telemedicina.

“Imagine videogames baseados nesses novos efeitos, ou trabalhar em frente de um computador 3D, ou de no home theater experimentar diferentes pontos de vista do filme dependendo de onde se está sentado!”, diz, animado, ao iG , Pierre-Alexandre Blanche, da Escola de Ciência Óptica da Universidade do Arizona e um dos autores do estudo publicado na edição da revista científica Nature.

A holografia permite ao observador perceber a luz que teria sido espalhada pelo objeto real por meio da reprodução da amplitude e da fase de luz por reflexão. O conceito de tele presença em 3D tem atraído o interesse das pessoas desde que foi retratado no filme original de Star Wars, em 1977. Mas desde então, a grande dificuldade tem sido conseguir transmitir uma quantidade enorme de informações, em tempo real, para produzir um holograma de alta qualidade.

Os pesquisadores do Arizona inovaram ao escolher o material utilizado. Os pesquisadores utilizaram um polímero polirrefrativo onde é possível registrar o holograma e atualizá-la quantas vezes quiser, sem degradação do material. “O que é realmente novo é o material que permite a técnica. É a mesma diferença de ter um quadro em sua sala de estar (estático) ou um televisor (dinâmico)”, simplifica Blanche.

O holograma funciona da seguinte maneira: um feixe de luz com as informações de um objeto interfere em um feixe de luz de referência que resulta em um pixel elementar holográfico, chamado de hogel, desenhado no polímero polirrefrativo. “Nós escrevemos mais de 100 hogels por holograma, por isso, é precisa ser rápido”, diz Blanche.

Para conseguir rapidez, é usado um laser pulsado com taxa de repetição de 50 Hz - 50 pulsos por segundo. “Cada hogel é recodificado com um único pulso e um feixe de leitura é enviado para o polímero, que desvia os raios luminosos e exibe a imagem em 3D.

E o principal, em tempo quase real. “O processamento de imagem da câmera de múltiplos pontos de vista com os dados em hogel não necessitam de um supercomputador (ao contrário de holograma gerado por computador). Outra questão é que também escrevendo o holograma inteiro muito rápido, em apenas 2 segundos”, diz.

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