Governo vai investir R$865 milhões em institutos de pesquisa

Investimento foi anunciado ontem à noite durante a abertura da reunião anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência

Maria Fernanda Ziegler, enviada a Natal |

O ministro da Ciência e Tecnologia, Sérgio Rezende, assinou ontem (25/07), a autorização da criação de editais de R$ 865 milhões para a criação de novos institutos de Ciência e Tecnologia. O edital foi firmado na abertura da reunião anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), em Natal (RN). “O valor dos editais corresponde a duas vezes e meia o total de responsabilidades do ano de 2002”, afirmou Rezende.

Durante a cerimônia, o ministro lembrou o crescimento da ciência e tecnologia no país, usando como exemplo as Olimpíadas da Matemática, “que englobam os esforços de 19 milhões de alunos em idade escolar, o que corresponde a 10% a população”.

Em seguida, o presidente da SBPC, Marco Antônio Raupp, disse que é preciso definir as formas de desenvolvimento econômico e social do Brasil. “No novo contexto global, os países que comandam têm em comum a alta qualidade da educação e a produção do conhecimento da ciência e tecnologia com geração de riquezas. O Brasil está preparado para atuar na nova economia global? No que se refere à educação, não. Já o sistema de produção científica, o país está maduro, suficientemente maduro”, disse.

Raupp justificou este amadurecimento com o fato de o país estar em 13º lugar no ranking da produção de ciência, passando a Rússia e Holanda. “Em 1988, foram 2.800 artigos publicados em revistas internacionais, já em 2008, foram 30 mil”, disse. Houve também avanços no sistema de pós-graduação. Hoje são 35 mil mestres e 11 mil doutores.

“O desafio agora é criar modelo econômico de alianças entre conhecimento científico e empresas. Precisamos integrar empresas com as universidades. Temos um reduzido número de empresas que investem na pesquisa. Com isto elas não inovam e perdem para a concorrência internacional”, disse Raupp.

Para o presidente da SBPC, é preciso fortalecimento dos institutos de pesquisa – para intermediarem conhecimento com ambiente produtivo empresarial. É o que ocorre com centros de excelência como a Embrapa, Petrobrás e Embraer. “São empresas que têm centros de pesquisa associados a redes de universidades”, disse.

“Um centro na Amazônia é o exemplo número um de necessidade de criação de grandes centros de pesquisa. O mesmo acontece com o semi-árido e o mar’, concluiu Raupp.

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