Geometria é intuitiva às pessoas, diz estudo

Pesquisadores franceses descobriram que indígenas conseguem entender conceitos geométricos sem tê-los estudado formalmente

Alessandro Greco, especial para o iG |

No século XVIII o filósofo Immanuel Kant (1724-1804) propôs que o entendimento da geometria nos humanos é fruto de uma intuição inata. Duzentos anos mais tarde, um estudo feito com uma tribo amazônica corrobora esta hipótese.

Pesquisadores franceses e ingleses testaram o entendimento de geometria de membros da tribo Munducuru, no Amazônia, e descobriram que ele é basicamente o mesmo de pessoas que estudaram o tema na escola. “Embora fossemos simpáticos à proposta de uma intuição inata da geometria do espaço […] tenho de admitir que ficamos surpresos com a robustez das intuições espaciais das pessoas da tribo Munducuru”, afirmou ao iG Véronique Izard, uma das autoras do artigo, da Ecóle Politecnique, na França, publicado hoje (23) no períodico Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS).

No trabalho, eles verificaram essa intuição de crianças e adultos da tribo em relação a pontos, linhas e superfícies e compararam com o de adultos e crianças americanos e franceses que estudaram matemática. Os resultados foi muito semelhantes entre os dois grupos.

Curiosamente as crianças dos grupos dos Estados Unidos e da França que ainda não haviam começado o estudo da geometria se saíram pior nos testes intuitivos do que os indígenas da mesma idade. “Para reconciliar estes dois resultados sugerimos duas hipóteses. Primeiro, a geometria é inata, mas se desenvolve a partir de uma certa idade, perto dos 7 anos de idade (como a barba no homem que é inata, porém surge apenas durante a puberdade). Ou a geometria é aprendida, mas neste caso precisa ser adquirida com base em uma experiência espacial que é muito geral e compartilhada entre [a tribo] Mundurucu e nossos participantes na França e nos Estados Unidos. Talvez [seja fruto] da experiência que advém da forma como nosso corpo se move no espaço”, explicou Véronique

O próximo passo dos pesquisadores será verificar se há diferenças no entendimento da geometria entre os Munducuru. “Queremos ver se os que vivem em vilas isoladas e os que estão em áreas com construções entendem geometria de forma diferente. Estamos também desenvolvendo uma pesquisa com crianças de 5 a 6 anos [sem estudo formal de geometria ainda] da França e dos Estados Unidos para ver como elas adquirem o conceito de geometria euclidiana nos primeiros anos de vida.”, afirmou Véronique.

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