Genes essenciais à vida podem ser recentes

Pesquisa contraria o conhecimento atual que afirmava que apenas genes antigos exerciam essa função

Alessandro Greco, especial para o iG |

Science/AAAS
Larva de drosófila não se desenvolveu quando gene de 9 milhões de anos foi apagado do seu genoma
O conhecimento científico atual afirma que apenas genes que estão há muito tempo no genoma, passando de espécie em espécie pela evolução, são essenciais à manutenção da vida.  Mas esta noção começou a mudar esta semana com a publicação nesta quinta-feira de um artigo na revista Science. Nele, Sidi Chen, Yong E. Zhang e Manyuan Long da Universidade de Chicago, nos Estados Unidos, mostraram que esta verdade estabelecida não corresponde à realidade. Ao menos não em moscas drosófilas. “Ficamos surpresos de ver que tantos genes jovens são essenciais [à vida]. Essa observação vai contra a conclusão dos livros-texto de que apenas genes antigos são os necessários”, afirmou Long ao iG .

O trio comparou o genoma de 12 espécies diferentes delas e identificou 195 genes que passaram a fazer parte do DNA delas em um período de 1 a 35 milhões de anos (o que é muito pouco tempo do ponto de vista da evolução). Com este dado em mãos, apagou cada um dos genes e viu o que acontecia com a mosca. O resultado foi que elas tiveram diversos defeitos em suas células e no seu desenvolvimento e, em 1/3 dos casos, não conseguiram sobreviver. Em muitos casos, as moscas morreram ainda no estágio de larva ou de pupa (estágio seguinte ao da larva).

A descoberta mostrou que genes novos rapidamente adquirem funções essenciais ao desenvolvimento do organismo e levou os pesquisadores a propor que não apenas os genes antigos e conservados ao longo da história evolucionária são essenciais à vida, mas os jovens também. E mais do que isso até: de que os genes antigos e novos são importantes na mesma proporção para a nossa sobrevivência. Resta agora saber se a teoria vale também para seres humanos. “Não sabemos ainda, mas não acho que os humanos devam ser uma exceção”, afirmou Long.

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