Gelo da Antártida fornece dicas sobre o universo

Pesquisadores franceses acham partículas enterradas no gelo que são tão antigas quanto o Sol

The New York Times |

Science/AAAS
Pesquisadores vasculham o gelo atrás de micrometeoritos, perto da Estação de Pesquisa Concordia
As calotas de gelo da Antártida são praticamente intocadas, limpas e – com temperaturas de até 50 graus negativos – muito frias.

Ao que parece, essa é a combinação perfeita para cientistas que querem extrair partículas intactas criadas há bilhões de anos, nos dias iniciais de nosso sistema solar.

"A questão é: ‘Como foi formado o sistema solar?", e para resolver isso no laboratório você precisa de materiais que não mudaram em 4,5 bilhões de anos”, disse Jean Duprat, cientista que pesquisa espectrometria nuclear e de massa na Universidade de Paris.

Duprat e seus colegas perfuraram a neve e, em seu núcleo, eles encontraram duas partículas, cada uma com um centésimo de um mícron em tamanho, que eram exatamente o que estavam procurando.

Graças à profundidade onde os materiais foram encontrados, cerca de 3,7 metros, foi possível estimar que eles foram depositados dentro da Terra de 1955 a 1970. Estudando as moléculas e minerais nas partículas – embora minúsculas, cada uma contém material suficiente para análise –, os pesquisadores puderam determinar que os sedimentos foram formados em nosso sistema solar há bilhões de anos. Seus resultados estão publicados na edição de 7 de maio da revista “Science”.

Para determinar as origens das partículas, os cientistas examinaram sua constituição química. Elas apresentavam quantidades maiores de carbono e deutério, uma forma de hidrogênio, do qualquer outra coisa encontrada na Terra, afirmou Duprat.

Ele e seus colegas analisaram mais a constituição química, e descobriram que as composições das partículas eram similares a resquícios de cometas, incluindo o cometa Halley.

Os grãos podem ter a idade do sol, ele disse.

Pesquisas futuras podem revelar mais sobre como exatamente essas partículas se formaram, e como elas chegaram à Terra. Porém, isso exigirá mais viagens à Estação de Pesquisa Concordia, na Antártida, e mais amostras.

“Conseguimos muito poucas dessas partículas, e precisamos de mais”, disse Duprat. “A cada vez que analisa partículas como essas, você acaba usando-as de alguma forma. É algo destrutivo”.

    Leia tudo sobre: espaçoantártidasistema solar

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG