Game ajuda a resolver enigma científico

Jogo se mostra eficiente para desvendar um dos problemas mais complexos encontrados pelos cientistas: a estrutura das proteínas

Alessandro Greco, especial para o iG |

Imagine unir o poder de processamento de computadores em rede com milhões de neurônios humanos para resolver um problema que atormenta os cientistas há décadas: descobrir a estrutura tridimensional das proteínas.

Foi isso que uma equipe de cientistas fez ao criar o programa gratuito Fold it (http://fold.it/ ) (“Dobre isso”, em uma tradução livre para o português). Nele, milhares de pessoas utilizam seu tempo livre online para “brincar” de descobrir a estrutura de proteínas que os cientistas ainda não desvendaram. Qualquer pessoa pode participar mesmo não tendo treinamento científico. As únicas regras estipuladas são seguir as leis da física – por exemplo, cargas elétricas opostas se atraem. Quanto mais perto da regras estiver o modelo, mais pontos o jogador ganha.

Criatividade versus algoritmos
A iniciativa foi criada em 2008 a partir de uma ideia dos professores David Baker e David Salesin da Universidade de Washington, em Seattle, Estados Unidos. Baker já tinha um projeto desde 1998 chamado Rosetta@home, que usa o poder de milhares de computadores em rede para tentar descobrir as formas das proteínas, mas achava que era preciso algo mais. “Eles achavam que se pessoas estivessem envolvidas, elas poderiam utilizar suas habilidades espaciais para encaixar os pedaços das proteínas e encontrar formas para elas melhores do que as feitas por computador”, afirmou ao iG Seth Cooper, programador chefe do Foldit, e também doutorando da Universidade de Washington.

O que ninguém tinha medido até agora era quão mais eficientes seriam os humanos seriam em relação aos computadores. O resultado encontrado por Cooper e colegas e publicado na edição desta semana da revista científica Nature é que em cinco de dez casos os humanos foram melhores do que o Rosetta.

Para Cooper, a criatividade humana é a maior responsável por essa vantagem. “Pessoas podem tentar, pensar sobre como as peças de uma proteína se encaixam e encontrar novas formas de atacar um problema. Computadores não podem ‘ver’ como as peças de uma proteína se encaixam dessa forma e apenas conseguem rodar algoritmos para os quais foram programados”, explica Seth.

Porta para novos medicamentos
Resolver a estrutura tridimensional de uma proteína é muito mais do que um trabalho puramente científico; é um passo fundamental para o entendimento de como ela age no organismo e consequentemente uma porta para a descoberta de novos medicamentos.

Se o videogame e seus milhares de jogadores irão conseguir resolver a estrutura completa de uma proteína um dia ninguém tem certeza e também é impossível prever, mas atualmente mais de 57 mil pessoas em todo o mundo jogam Foldit, entre eles seu criador. “Sempre gostei de jogar videogames então trabalhar em um que fosse útil para a ciência é excitante,” diz Cooper.

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