O cosmonauta, que foi ao espaço em 1961, é um dos raros heróis russos cuja imagem não sofreu com a queda da União Soviética

Yuri Gagarin(1934-1968),  se  prepara para viagem à bordo da Vostok I nave soviética, em 12 de abril de 1961, pouco antes do lançamento
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Yuri Gagarin(1934-1968), se prepara para viagem à bordo da Vostok I nave soviética, em 12 de abril de 1961, pouco antes do lançamento
O cosmonauta Yuri Gagarin, ainda célebre na Rússia, 50 anos depois de ter sido o primeiro ser humano a viajar ao espaço (12 de abril), foi escolhido pelo poder para encarnar o paradigma do homem soviético, especialmente por suas modestas origens camponesas.

Gagarin, morto em 1968, é um dos raros heróis nacionais cuja imagem não sofreu com a queda da União Soviética no fim de 1991, e continua sendo ainda hoje para os russos "a personalidade mais atraente do século XX", segundo pesquisas.

Suas origens populares - um pai carpinteiro e uma mãe camponesa - jogaram a favor de sua candidatura para se tornar o primeiro homem no espaço, frente a seu rival Gherman Titov, proveniente de uma família de professores e com a desvantagem de ter um nome germânico, segundo seus biógrafos.

Nascido em março de 1934 em um povoado perto de Smolensk (oeste), depois de uma infância difícil marcada pela guerra e pela ocupação nazista, Gagarin dedicou-se primeiramente a trabalhar como metalúrgico.

"Sua trajetória era semelhante à de qualquer de seus milhões de concidadãos", explicou à AFP Lev Danilkin, autor de uma monografia sobre o cosmonauta publicada nesta semana.

O jovem Gagarin, apaixonado por aviação, inscreveu-se em uma escola militar de Orenburgo (Montes Urais) e assumiu pela primeira vez o comando de um avião em 1955.

Quando em um dia de outono de 1959 uma comissão selecionava voluntários para pilotar um "tipo moderno de aeronave", sua baixa estatura - apenas 1,60 metro -, jogou a seu favor.

Vinte candidatos começaram um treinamento de um ano em um centro secreto de Moscou. Com o passar do tempo, não restaram mais de 12, e logo seis, entre eles, Gagarin.

Este homem loiro, de olhos azuis e sorriso quase infantil, encarna o arquétipo do homem russo apontado como exemplo pela propaganda soviética.

Ganhou assim a simpatia de seus colegas, e em especial a de Serguei Korolev, pai da astronáutica soviética.

"Gagarin não era um líder, mas era amigo de todos, e Korolev o tratou como um filho", lembra o cosmonauta Boris Volynov.

Em 1961, Gagarin é designado para efetuar o primeiro voo do homem ao espaço, fixado para 12 de abril. Nesse momento, tinha 27 anos e era casado com Valentina, uma enfermeira que acabava de dar à luz uma segunda filha.

A missão era perigosa: de 48 cães enviados ao espaço pela União Soviética, 20 tinham morrido.

Mas "todos sonhavam em ir no lugar dele", disse Volynov à AFP.

"Yuri foi eleito por suas qualidades pessoais, muito próximas ao povo", e se transformou no símbolo perfeito dos êxitos da União Soviética, comentou o cosmonauta.

Recebido de forma triunfal pelo mundo inteiro, Gagarin completaria essa missão perfeitamente, demonstrando segundo as testemunhas uma simplicidade absoluta.

Durante um jantar, recebeu um sorriso da rainha da Inglaterra ao admitir que não sabia com qual garfo poderia servir-se.

"Gagarin foi para os soviéticos o projeto de propaganda com mais sucesso", estimava Lev Danilkin.

Mas não apenas por isso: herói nacional com todos os privilégios, Gagarin passava horas ao telefone para conseguir um remédio, um lugar no hospital ou um tíquete para o teatro Bolshoi para seus diversos amigos, lembra Volynov.

Cinquenta anos depois de seu voo, Gagarin encarna tanto "um produto 'kitch' da propaganda soviética" como os heróis românticos de uma época pesada, destaca seu biógrafo.

Sonhava em ir à Lua, mas o destino tinha decidido outra coisa.

Muito apreciado pelas autoridades soviéticas, permaneceu longo tempo com a proibição de pilotar antes de obter autorização.

Em 27 de março de 1968, ao pilotar um pequeno avião de treino, caiu no nordeste de Moscou em circunstâncias ainda pouco claras, e os arquivos desse acidente ainda permanecem confidenciais, classificados como "segredo de Estado".

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