Fungo se espalha rapidamente e pode extinguir espécie de morcegos

A síndrome do nariz branco prejudica o período de hibernação, levando o animal à morte

Maria Fernanda Ziegler, iG São Paulo |

Science/AAAS
Três morcegos com síndrome do nariz branco na caverna Graphite, em Nova York
Os morcegos costumam levar a fama de agentes transmissores de doenças como raiva, ebola e gripe suína, mas eles também têm suas qualidades: combatem pragas agrícolas, por exemplo. Mesmo assim, uma notícia preocupante para os morcegos está também por inquietar cientistas americanos. Uma séria doença, chamada síndrome do nariz branco (na sigla em inglês, WNS), pode levar nove espécies de morcego nos estados Unidos à extinção.

A doença é causada por um fungo que cresce na pele do nariz, orelhas, cauda e as membranas das asas dos morcegos e invade a derme, os folículos pilosos e as glândulas sebáceas. Isto provoca uma resposta inflamatória, que perturba o ciclo natural de hibernação dos morcegos. Eles passam a acordar com muita frequência durante o inverno, e com isso, perdem gordura corporal. Enfraquecidos, morrem de fome antes de a primavera chegar.

“Até onde sabemos o fungo Geomyces destructans não ocorria na América do Norte, antes da sua descoberta em 2006. Temos agora a documentação dos fungos que ocorrem em mais de 115 lugares onde os morcegos hibernam”, disse ao iG Winifred F. Frick, das Universidades de Boston e da Califórnia, que coordenou a pesquisa publicada esta semana na revista científica Science.

Os pesquisadores analisaram dados da mortalidade do morcego marrom de pequeno porte ( Myotis lucifugus ), em 115 locais do nordeste dos Estados Unidos, nos últimos 30 anos, e descobriram que a população, anteriormente na casa dos milhões, era estável até 2006, quando houve uma mortalidade súbita devido à WNS. De lá para cá, ela continua em declínio progressivo, com quedas que variaram de 30% a 99%.

Dados
A pesquisa mostra que a expectativa é que a população do morcego marrom de pequeno porte se torne menos de 1% em relação ao que era sua população antes da WNS, em um prazo de 20 anos, mesmo que a mortalidade diminua com o tempo. Os cientistas concluíram que a perda de tantos morcegos resultará em mudanças na estrutura e a função dos ecossistemas e provavelmente irá se tornar um problema além das fronteiras dos Estados Unidos, conforme a doença se espalhe para o oeste, sul e Canadá.

“A doença provavelmente se espalha tão rápido porque os morcegos são criaturas altamente móveis, que pode voar por longas distâncias. O fungo os afeta em suas cavernas e minas quando estão hibernando, mas os morcegos podem ser capazes de espalhar os esporos do fungo durante as outras estações. Isso é algo que estamos a tentar determinar ainda”, disse Winifred.

O problema está aumentando, e no curtíssimo prazo, já se mostrou afetando cada vez mais espécies. “Até o momento em que finalizamos a pesquisa para publicação, havíamos documentado a doença em sete espécies. Agora, existem mais duas espécies que são conhecidas por terem o fungo, aumentando o número total de espécies afetada para nove”, disse Winifred ao iG .

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