Frequência de ciclones raros na costa brasileira é coincidência

Fenômeno, que já se formou duas vezes em SC e esta semana no RJ, não deve se repetir tão cedo, afirmam Marinha e especialistas

iG São Paulo |

NASA/SSAI, Hal Pierce
Imagem mostra formação de ciclone. Áreas pintadas de vermelho mostram fortes chuvas
A formação de um ciclone subtropical , como o desta quarta-feira (16), próximo ao litoral fluminense e capixaba, é um evento raríssimo de acordo com especialistas ouvidos pelo iG. “É um evento muito raro de acontecer nesta região e a proximidade com os ciclones de Santa Catarina, ocorridos em 2004 e 2010, não quer dizer que estes eventos venham a acontecer com maior frequência a partir de agora. São casos isolados”, disse Dennis Feltgen, porta-voz do Centro Americano de Furações, na Flórida, Estados Unidos.

A raridade está relacionada com a temperatura da superfície do oceano, que na região do litoral fluminense e capixaba costumam ficar abaixo de 24°C. No entanto, durante a madrugada de terça-feira (15), formou-se um ciclone no oceano atlântico, a 500 km do litoral capixaba como resultou de uma área de baixa pressão atmosférica associada com as altas temperaturas da superfície da água, que estava entre 26°C e 27°C.

O fenômeno batizado de Arani – tempo furioso em tupi-guarani – se deslocou para o oceano e não provocou maiores transtornos ao litoral. A intensidade dos ventos também foi baixa, de 50 a 70 km/h, de acordo com a Marinha. Para um furacão acontecer, é preciso que os ventos soprem a uma velocidade maior que 100 km/h.

Como não foi em direção ao continente, provocou poucos estragos. Foram ondas de até três metros no litoral, danos ao calçadão de Macaé (RJ) por causa da ressaca e suspensão de navegação na área. Caso ele tivesse ido em direção ao continente, o ciclone poderia provocar muitas nuvens, chuvas e inundações.

De acordo com o Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos (CPTEC/Inpe), na América do Sul, a área que se estende pelo nordeste da Argentina, Uruguai e Rio Grande do Sul é a mais propícia a ciclones na América do Sul, principalmente no inverno. Há ainda a região oceânica que vai da altura de Santa Catarina ao sul da Bahia, que durante os meses de março e abril, podem ter a temperatura da superfície do mar elevada, entre 24 e 27ºC.

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