Paleontólogos discutem se o Ardipithecus ramidus, descoberto recentemente, é realmente um ancestral dos seres humanos

No ano passado, um fóssil chamado Ardi chacoalhou os especialistas em evolução humana, Agora, alguns cientistas levantam dúvidas sobre o que exatamente a criatura da Etiópia foi e em que tipo de paisagem ela viveu. Estes estudos serão publicados na revista científica Science desta semana, que no ano passado declarou a apresentação do fóssil de 4,4 milhões de anos a descoberta do ano.

Ardi, diminutivo de Ardipithecus ramidus , foi considerado em outubro de 2009 um novo ponto no início da evolução humana. Os pesquisadores concluíram que Ardi andava ereta (o esqueleto pertencia a uma fêmea), em vez de se apoiar nas articulações das mãos como os alguns macacos, e vivia nas florestas em vez das savanas africanas. Sua aparência tinha pouco a ver com os atuais chimpanzés, os parentes mais próximos do homem.

O paleontólogo Tim White, da Universidade da Califórnia, um dos cientistas que descreveram Ardi, diz não se surpreender com o debate. “Era de se esperar,” diz. “Sempre que aparece algo incomum como Ardi, isso vai acontecer”.

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Ancestral dos chimpanzés?
Esteban Sarmiento, da Human Evolution Foundation, em New Jersey, declarou na nova análise não estar convencido que Ardi pertence ao ramo evolucionário que levou ao Homo sapiens . Em vez disso, ele acredita que Ardi veio antes, antes que a linha evolucionária humana se separasse dos ancestrais de chimpanzés e gorilas. Algumas características anatômicas de dentes, crânio, por exemplo, não são suficientes para colocá-lo com um ancestral nosso, diz o especialista. Outras, como o pulso e o ponto de conexão da mandíbula inferior ao crânio, indicariam que Ardi surgiu antes da divisão evolucionária.

Em uma réplica publicada pela Science e em uma entrevista por telefone, White discordou das conclusões de Sarmiento. “As provas estão claras que, no Ardipithecus, existem características presentes apenas em hominídeos e nos seres humanos,” afirmou. Se Ardi fosse realmente um ancestral dos chimpanzés, alguns aspectos de seus dentes, pélvis e crânio teriam que evoluir de volta a um estado mais primitivo, “uma reversão evolucionária pouco provável”.

Dois outros experts afirmam que ainda não se pode ter certeza do lugar de Ardi nas ramificações da evolução humana. Will Harcourt-Smith, pesquisador do Museu Americano de História Natural, disse que não sabia se Sarmiento tinha razão ou não. “Ainda estamos no começo do estudo de Ardi. Até que haja uma descrição mais completa da ossada, temos que ser cautelosos na interpretação das análises iniciais. Tudo está em aberto,” afirmou.

Rick Potts, chefe do programa de origens humanas do Museu de História Natural do Smithsonian, disse que o fóssil foi encontrado em apenas um local. E que viveu num período pouco compreendido, quando podem ter acontecido “muitas experiências”. “É cedo demais para afirmar onde ele está em relação a outros hominídeos,” disse.

Pradaria ou florestas
A segunda crítica se refere ao habitat de Ardi. A primeira análise afirma que era um cenário predominantemente florestal, o que ia de encontro com a “hipótese da savana”, a idéia que os ancestrais humanos começaram a andar eretos porque viviam em pradarias ou savanas.

Esta semana, o geoquímico Thure Cerling, da Universidade de Utah, afirmou, juntamente com outros cientistas, que Ardi vagava por savanas com menos de 25% de cobertura florestal, discordando do habitat de mata mais cerrada proposto por White. Eles basearam seu estudo na análise de solos antigos, esmalte dentário de fósseis de animais encontrados no mesmo local e grãos de sílica das plantas.

White concordou que o habitat de Ardi possa ter incluído pradarias, mas afirmou que a espécie preferia áreas arborizadas. Por exemplo, o esqueleto mostra ter adaptações para escalada, e “não era para escalar grama,” afirmou. E os animais encontrados com o fóssil são típicos de florestas, como macacos que comiam folhas, por exemplo.

Potts dá razão a White, na disputa do habitat de Ardi. Mas reforça o fato de que apenas um fóssil seja muito pouco para tirar conclusões sobre as condições ambientais do início da evolução humana – isso se Ardi realmente pertencer aos hominídeos.

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