Fóssil de dinossauro corcunda é descoberto na Espanha

Corcova devia ter a mesma função que em mamíferos modernos como o boi zebu

Maria Fernanda Ziegler, iG São Paulo |

Divulgação/Nature
Reprodução do dinossauro mostra estrutura bizarra no dorso do animal que lembra uma corcova
Aparentemente, o período Cetáceo também tinha o seu corcunda. Ele, porém, não vivia escondido pela catedral de Notre Dame, em Paris, mas pelos campos de Cuenca, na Espanha. O novo fóssil de terópode descoberto por pesquisadores de universidades espanholas apresenta prolongamento nas duas últimas vértebras (na altura da região pélvica), algo que se assemelhava a uma corcunda. Os arqueólogos deram ao dinossauro o nome de Concavenator corcovatus que quer dizer “o caçador corcunda de Cuenca”. 

O prolongamento das vértebras projeta as espinhas neurais para as costas do animal, formando uma espécie de corcunda. Os pesquisadores ainda não sabem qual era função desta característica esquisita no dinossauro.

Divulgação/Nature
Pesquisadores analisam fóssil do dinossauro que media 2 metros de altura
“Acreditamos que o mais plausível seja que esta estrutura seja um depósito de gordura, assim como em alguns mamíferos modernos, como o boi zebu, por exemplo. No entanto, existem muitas diferenças entre as corcovas dos mamíferos e a estrutura do Concavenator , que tinha suporte ósseo interno”, disse ao iG Francisco Ortega, da Universidade Nacional de Educação à Distância, na Espanha, e que liderou o estudo apresentado na revista científica Nature

Ortega afirma que a estrutura também poderia desempenhar papel na comunicação entre indivíduos da mesma espécie, ou estar envolvido no apoio a uma dobra da pele que auxiliaria nas estratégias de regulação térmica desses animais. “No momento, podemos considerar que todas estas opções são interpretações razoáveis, mas ainda permanecem no reino da especulação”, ressaltou.

Esta característica bizarra não é única entre os dinossauros. O paleontólogo Alexander Kellner, do Museu Nacional/UFRJ, considera curioso o uso da expressão concunda para definir a característica de vértebras prolongadas do animal. “Há um grupo de dinossauros - os espinossauros - que também possuíam espinhos neurais das vértebras da pélvis e do dorso alongadas, só que formavam uma espécie de vela”, afirma. Porém, é a primeira vez que se vê prolongamentos de apenas duas vértebras, como é o caso do Concavenator é a primeira vez que se vê.

Predador
O Concavenator era um carnívoro que tinha 2 metros de altura e 6 metros de comprimento entre o topo da cabeça até a ponta do rabo, e pesava 400 quilos. O fóssil descoberto em Las Hoyas é um dos mais completos e bem conservados esqueletos de terópode do período Cetáceo, o que possibilita determinar seu tamanho a partir de dados comcretos.

O corpo do Concavenator era robusto, especialmente as patas, com braços pequenos e mãos longas. Ele era quatro vezes maior que o Velociraptor e muito primitivo para ter asas. “Não era um animal particularmente grande, mas suficientemente grande para ser um dos maiores predadores de seu ecossistema”, disse Ortega.

Ele também apresentava pequenos ressaltos nos ossos das patas dianteiras, o que fez com que os pesquisadores identificassem um estágio ancestral às penas de aves.

Carcadontossauro europeu
“A descoberta reforça a ideia de maior diversidade de dinossauros pelo mundo”, afirma Kellner. Até poucos anos atrás, acreditava-se que os carcadontossauros estavam restritos a um grupo de grandes terópodes que viviam apenas na região que seria a Ásia.

O sítio arqueológico de Las Hoyas esta entre os melhores depósitos de fósseis do mundo, como os da China (Yixian e Jiufotang) e os do Araripe (Romualdo e Crato), no Brasil. Kellner lembra que foi lá que foram encontrados os primeiros fósseis de angiospermas, vegetais que hoje dominam a Terra.

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