Fóssil ajuda a entender divergência entre homem e macaco

Estudo revela que linhagem humana se separou da dos macacos depois do que se pensava

Thiago André, especial para o iG |

Restos fossilizados de um primata com idade entre 29 e 28 milhões de anos, encontrados na Arábia Saudita por pesquisadores da Universidade de Michigan, podem mudar o entendimento sobre a divergência entre os hominídeos e os primatas conhecidos como cercopitecóides, os macacos com cauda que habitavam o velho mundo.

Os cientistas americanos descreveram, em artigo na Nature, fósseis do corpo e de partes do crânio do primata que, estima-se, pesava entre 15 e 20 quilos. A grande questão é que as análises filogenéticas mostraram que o animal, chamado de  Saadanius hijazensis , possui algumas características dos catarríneos, o ancestral comum dos hominídeos e também dos macacos do velho mundo, e teria habitado a Terra entre 29 e 24 milhões de anos atrás, mais tarde do que se pensava anteriormente.

O desenvolvimento dos ossos do primata e também o comprimento das raízes de seus dentes caninos indicam que o fóssil é de um adulto do sexo masculino. Os pesquisadores supõem que essas e outras características predominantes do primata encontrado fazem com que ele pertença a uma nova espécie que não estaria dentro de qualquer família existente de catarríneo.

O trabalho aponta que o tempo de divergência de hominídeos e cercopitecóides a partir de um ancestral comum, dados cruciais para o entendimento da evolução humana, vêm sendo estimada entre 25 e 23 milhões de anos atrás. As investigações genômicas do estudo calculam, no entanto, uma incidência anterior a este evento, entre 34,5 e 29,2 milhões de anos atrás, durante o período Oligoceno.

Segundo os cientistas, as formas pelas quais os macacos do Mioceno (entre 23 milhões de anos e 5 milhões de anos atrás) diferem anatomicamente dos catarríneos podem contribuir, no futuro, para a elaboração de um novo método de reconhecimento dos hominídeos. Os fósseis do primata que acaba de ser encontrado foram arquivados na Unidade de Pesquisa Geológica de Jeddah, na Arábia Saudita. O objetivo é que outras pesquisas preencham novas lacunas para a compreensão da natureza e do calendário de eventos filogenéticos relacionados à origem humana.

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