Fórum pretende reformar maneira de nomear novas espécies

Grupo de cientistas quer abolir o sistema atual, inventado pelo botânico Carl Linneo há 275 anos

AFP |

O método para denominar os seres vivos tem quase 300 anos, mas na sexta-feira será desafiado na Universidade de Yale por aqueles que desejam substituí-lo por outro.

E não se trata de um debate puramente acadêmico, sem consequências.

Os cientistas que descobrem peixes, aves ou qualquer outro ser vivo desconhecido, ou aqueles que estudam os fósseis e os microorganismos, asseguram que têm cada vez mais problemas para dar nomes a suas descobertas.

James Prosek, naturalista, autor e artista, tomou consciência enquanto escrevia seu livro "Trout: An Illustrated History" que a nomenclatura tradicional dos seres vivos está ficando defasada em relação aos conhecimentos atuais.

Por exemplo, a truta de rio nativa do Connecticut, onde ele pescava quando criança, a truta irisada do oeste dos Estados Unidos e a truta europeia tem em comum a denominação "truta", mas a do rio está mais relacionada a um peixe do Ártico, a irisada, com o salmão do Pacífico; e a europeia, com o do Atlântico.

"Tecnicamente, nem seria correto chamar o livro 'Trutas'", disse Prosek.

Nesta sexta-feira, Prosek e outros biólogos de Yale e do Instituto Smithonian de Washington se reunirão no Centro Whitney de Humanidades no simpósio "Nomear a natureza: uma conversa sobre natureza, usos e limitações da taxonomia biológica".

A ideia revolucionária criada no fórum é a de que chegou a hora de abolir o sistema atual, inventado pelo botânico sueco Carl Linneo há 275 anos.

Como funciona
O sistema de Linneo divide o mundo natural em categorias precisas e nomeia as espécies com dois nomes em latim, como Homo sapiens para o homem, com grupos que se baseiam em semelhanças físicas.

Os reformistas da conferência de Yale, incluindo o professor de geologia Jacques Gauthier, o biólogo Michael Donoghue, e o zoólogo Kevin de Queiroz, opinam que o sistema de Linneo foi superado.

"Simplesmente, o sistema de Linneo não está à altura da tarefa de controlar a enorme quantidade de informação que acumulamos sobre a diversidade", disse Donoghue.

Sua ideia é substituir o sistema de Linneo por algo chamado "PhiloCode". Sob o novo sistema proposto, as formas de vida ficariam catalogadas em função de seus ancestrais e de princípios darwinianos.

Donoghue e seus colegas já mudaram o herbário de Yale do sistema de Linneo para o PhiloCode, e explicam que os nomes não necessariamente mudam, salvo para corrigir um novo conhecimento em matéria evolutiva.

Mas nem todos os participantes são a favor do PhyloCode. Richard Prum, de Yale, que reconstruiu as penas vermelhas, brancas e pretas de um dinossauro a partir de seus fósseis, considera que não é uma boa resposta.

"O PhyloCode não resolve o problema", diz. Prosek adverte no entanto que quando algumas espécies que considera mal nomeadas no sistema de Linneo não obtém o reconhecimento de sua diversidade, perdem a proteção de algumas leis de conservação.

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