Mecanismo presente no bigode das focas permite que elas descubram tamanho do peixe sem o uso da visão

Bigodes das focas são responsáveis pela identificação de alimentos
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Bigodes das focas são responsáveis pela identificação de alimentos
As focas podem não parecer, mas são muito espertas. Pesquisadores alemães descobriram que o animal tem a capacidade de distinguir um peixe mais apetitoso por meio de um mecanismo presente em seus bigodes, que conseguem diferenciar o rastro deixado pelos peixes na água. O sistema é muito melhor que um par de óculos, ou um sonar, e tem uma precisão de centímetros.

Vale lembrar que as focas muitas vezes buscam suas presas em condições onde a água é barrenta e a visibilidade é pouca. A capacidade de analisar os rastros deixados na água é essencial para o sucesso da caçada. “Elas usam esta habilidade para identificar presas mais valiosas, porque buscar um peixe muito pequeno pode não compensar o esforço”, disse ao iG Wolf Hanke, do departamento de ecologia sensorial e cognitiva da Universidade de Rostock, na Alemanha. A capacidade também é uma boa maneira de evitar predadores.

O bigode das focas é semelhante ao dos gatos, só que tem cerca de dez vezes mais fibras nervosas e um formato que favorece a identificação de sinais deixados por suas presas. Outros animais marinhos, como golfinhos e baleias, usam uma espécie de sonar interno que os permite localizar a presa e medir a que distância ela está. “As focas resolvem o mesmo problema apenas com os bigodes. Isto quer dizer que há pelo menos duas maneiras diferentes de mamíferos de origens diferentes resolverem o problema de encontrar alimento tendo a visão limitada”, disse.

Focas buscam alimento em águas barrentas e com pouca visibilidade
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Focas buscam alimento em águas barrentas e com pouca visibilidade
A capacidade das focas impressionou tanto os pesquisadores que eles criaram um robô que repete as suas habilidades. O protótipo auxilia na compreensão dos mecanismos e vem sendo melhorado conforme novas descobertas são feitas. Um estudo prévio realizado pela mesma equipe demonstrou que elas podem perseguir um peixe mesmo que ele tenha passado há 35 segundos por elas.

Henry, o observador
Para chegar a tal nível de precisão sobre a habilidade das focas em detectar possíveis presas, os pesquisadores tiveram o auxílio de uma foca chamada Henry, do Centro de Ciências Marinhas, na Alemanha. Os pesquisadores vendaram os olhos do animal e cobriram suas orelhas. Em um tanque, uma nadadeira mecânica percorreu a água e só após alguns segundos permitiram que a foca entrasse no tanque.

O animal foi treinado para pressionar um alvo quando identificasse um rastro de uma boa presa. A equipe descobriu que Henry poderia distinguir entre nadadeiras que diferem em menos de 2,8 centímetros de largura.

Os pesquisadores decidiram testar quais são as características nas nadadeiras fazem com que as focas as notem. “Nós variamos as velocidade das nadadeiras para que a velocidade não servisse de pista para Henry, apenas a estrutura do rastro deveria ser analisada”, disse. Num terceiro momento o design das nadadeiras foi variado e a foca teve que distinguir entre nadadeiras triangulares, cilíndricas e planas, a partir da análise dos rastros produzidos na água.

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