Físicos descobrem por que bicicletas conseguem andar sem ciclista

Resultado pode ajudar na evolução do design de novos modelos para o veículo e desbanca teorias sobre a estabilidade da bicicleta

Alessandro Greco, especial para o iG |

Sam Rentmeester/FMAX
Mesmo projetado para anular os efeitos que deveriam manter a bicicleta estável, protótipo não cai
É comum ver cenas de bicicletas andando sem ciclistas. A explicação dada, há mais de um século, para essa estabilidade foi derrubada por físicos na Holanda e nos Estados Unidos. Eles construíram uma bicicleta que não usa nenhum dos dois efeitos físicos considerados responsáveis pela estabilidade e, mesmo assim, a bicicleta continuou andando sem ciclista a bordo.

Os efeitos a que usualmente se atribui a estabilidade da bicicleta, mesmo com o selim desocupado, são o giroscópico - onde a estabilidade seria derivada do giro da roda dianteira - e o chamado "caster", o ângulo que separa o eixo do guidão do ponto de contato da roda com o solo.

A pesquisa que desbancou o giroscópio e o caster no caso da bicicleta sem ciclista partiu da curiosidade do físico holandês Arendt Schwab, da Universidade de Tecnologia de Delft, na Holanda.

“Desde criança gosto de tudo que tenha rodas. Em 2002, estava em um ano sabático na Universidade de Cornell, nos Estados Unidos, e, neste período tive tempo para pensar no que quisesse. Lá, encontrei com o Jim Papadopoulos, que tinha feito equações mostrando que os efeitos imaginados para a estabilidade da bicicleta não eram necessários. Fiquei até 2007 validando as equações e, naquele ano, publicamos um artigo sobre o tema”, explicou, ao iG , Schwab. E completou: “Agora, a teoria é uma coisa. A prática, outra. Demoramos ainda mais de um ano e meio para construir uma bicicleta que pudesse testar se estávamos certos”.


O protótipo feito por Schwab e colegas foi projetado de modo a anular tanto o efeito giroscópico quanto o caster. Ele tem uma roda extra, que gira no ar de modo a anular o efeito estabilizador da roda dianteira, e um caster negativo: o ponto de contato da roda com o solo fica à frente do eixo do guidão, e não atrás, como no caso das bicicletas convencionais. Mesmo assim, o protótipo se manteve estável em movimento.

O resultado obtido pelos físicos sugere que a distribuição do peso ao longo do quadro e sobre as rodas pode ser o responsável pela estabilidade, e indica que o design das bicicletas ainda tem muito para evoluir.

“É preciso que fique claro que não há nada de errado com o design das bicicletas atuais. Ele funciona muito bem. O que se pode fazer é usar o que descobrimos para o design de outras bicicletas, como aquelas em que a pessoa anda quase deitada”, afirmou Schwab.

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