Físico propõe a união de ciência e espiritualidade

Em entrevista ao iG, Amit Goswami, protagonista do filme "Quem Somos Nós", propõe nova forma de encarar a ciência

Renan Silva de Carvalho, iG São Paulo |

Renan Silva de Carvalho, iG São Paulo
Goswami durante entrevista, em São Paulo: ideias divulgadas em documentário de 2004
Após o lançamento do filme “Quem Somos Nós?”, seja no âmbito científico ou nos debates acadêmicos, o estudo da física quântica ganhou nova evidência. A temática do documentário, que abrange uma nova percepção a respeito da realidade e propõe um novo tipo de consciência a partir da mecânica quântica, ganhou as livrarias e popularizou um assunto até então restrito aos físicos, biólogos, psicólogos e parte da comunidade filosófica.

Ph.D em física quântica e professor emérito de Física da Universidade de Oregon, nos EUA, o indiano Amit Goswami foi um dos protagonistas desse longa-metragem sucesso de bilheteria nos EUA e Canadá. Suas ideias a respeito das possibilidades existentes ao unir ciência e espiritualidade inspiraram novos comportamentos e causou críticas de grande parte dos cientistas materialistas.

E não é para menos. Goswami trabalha com temas polêmicos – reencarnação, experiências de quase morte, imortalidade. E, além de teorizar e realizar experimentos por métodos não convencionais – sem o uso da matemática –, ele escreve de forma didática sobre conceitos como a física da alma humana e novas formas de tratamento medicinal através da física quântica.

De passagem por São Paulo para realizar workshops , o iG conversou com Goswami. Confira:

iG: Alguns críticos consideram o seu trabalho um discurso de auto-ajuda ao invés de ciência. Qual a sua opinião sobre isso?
Amit Goswami: O mundo está de cabeça para baixo (risos). Temos que considerar que há muitas teorias físicas que nunca poderão ser verificadas existencialmente antes de fazer esse julgamento. Por exemplo, a teoria do Stephen Hawking a respeito do buraco negro. O que ele defende não pode ser verificado, mas todos a consideram uma possibilidade, justamente por ela ter uma base matemática.

E aí a controvérsia, pois, por mais absurdo que seja uma teoria, se ela tem matemática envolvida ela é validada, e por mais que tenham experimentos que provam a veracidade de teorias da física quântica, sem a matemática ela é considera como base de reflexão, auto-ajuda. Inclusive, existe uma teoria matemática para provar que nenhuma matemática é possível para provar os paradoxos quânticos. Só que não podemos esquecer que escrevo sobre a mecânica quântica pura. Minhas teorias são adotadas em universidades ao redor do mundo

iG: Como é esclarecer cientificamente assuntos como reencarnação sem confrontar com dogmas religiosos?
Amit Goswami: Mesmo atuando com temas sensíveis, vejo que as comunidades religiosas não estão tão perturbadas com o meu trabalho. Elas até consideram que as minhas teorias e experimentos ajudam a esclarecer as pessoas. No geral, são os materialistas que batem de frente. Mas, não me considero um ‘peixe grande’ para tentarem me atacar. Também não enxergo minhas atividades sendo sabotadas em larga escala. Por enquanto, as críticas são pontuais, pequenas.

iG: E a comunidade médica, qual a percepção dela em relação a sua proposta de cura quântica?
Amit Goswami: Os médicos da medicina alternativa têm uma aceitação melhor, pois contam com práticas sutis. Porém, acredito que as coisas estão mudando. Os estudiosos da física quântica estão plantando uma semente na comunidade médica e, nesse aspecto, os cientistas materialistas não querem atacar diretamente. O que eu posso dizer é que sinto os médicos receptivos as minhas ideias sobre a cura quântica. Individualmente, eles, psicólogos, biólogos, químicos e outros não se perturbam ao debater meus critérios sobre tratamentos e evolução. As coisas mudam quando a opinião é exposta e se torna pública.

iG: Após o lançamento do filme “Quem Somos Nós?” houve novos avanços nos estudos da física quântica?
Amit Goswami:[O filme] Ajudou muito. Fomentou pesquisas e experimentos, rendeu novas percepções. Por conta dele surgiu um conhecimento geral, mesmo que não profundo, que antes não existia. Foi um trabalho que transmitiu muitas mensagens, sendo duas as principais: os circuitos cerebrais, tratando as conexões sinápticas, e a mecânica da física quântica, que se inseriu mais na concepção e realidade das pessoas, fato que considero o grande avanço.

iG: Sendo originário da Índia e filho de um guru hindu, até que ponto você acha que esse contexto pode ter influenciado nas suas teorias?
Amit Goswami: Existe muito barulho por nada. A verdade é que eu era um completo materialista. Minha origem e educação não tiveram nenhum papel na minha vida científica. Somente após as descobertas é que eu retornei as tradições espirituais. E não fico restrito ao budismo, ao hinduísmo ou a qualquer misticismo oriental. Respeito todas as religiões. Admiro o conhecimento de Jesus, por exemplo.

iG: E como ocorreu esse desapego ao materialismo?
Amit Goswami: Eu estava discutindo questões da física quântica com um místico. Ele deu sua percepção a respeito da realidade dizendo que se você considerar a consciência como base de toda existência, e a matéria simplesmente uma possibilidade da consciência o paradoxo se desfaz. Isso difere tanto da ciência materialista quanto das religiões tradicionais. Foi uma ideia criativa. No momento foi impossível pensar nisso racionalmente, simplesmente veio.

Workshops de Amit Goswami:

Cura Quântica – 28/08
O Ativismo Quântico – 29/08
Informações:11 3743 3202
Site: www.amitgoswami.com.br

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