Falsa memória é criada para compensar falta da lembrança real

Pesquisa mostrou que ratos criam memórias para completar a representação do mundo e faz rever conceitos estabelecidos

Alessandro Greco, especial para o iG |

Criar uma falsa memória pode ser uma forma de preencher um espaço vazio deixado pela falta de uma memória real. A descoberta foi feita por um grupo de pesquisadores liderados por Lisa Saksida, da Universidade de Cambridge, na Inglaterra. “As pessoas tendem a presumir que problemas de memória refletem o esquecimento de itens ou eventos que ocorreram. O que mostramos é que essas dificuldades podem ocorrer da forma oposta: lembrar falsamente de informações que não foram encontradas”, explicou Lisa ao iG .

A pesquisa, publicada nesta quinta (2) na revista Science, pode ajudar a entender melhor o que se passa no cérebro de pessoas com certos tipos de dano cerebral. “Em pessoas com amnésia e Alzheimer, a habilidade para manter representações complexas e detalhadas de objetos completos no mundo é interrompida. O que permanece são características específicas desses objetos que facilmente criam confusão [no cérebro] e, como resultado, uma falsa memória é gerada”, completou. Ou seja: uma pessoa com Alzheimer não deixaria de tomar o medicamento ou desligar o fogão por esquecimento, mas por acreditar que já havia feito isso. O estudo, feito com ratos, mostrou também que o estímulo visual pode afetar seriamente fragmentos de memória que ainda não se desenvolveram completamente.

A combinação desses resultados com dados de estudos anteriores levou os pesquisadores do estudo a sugerirem que a memória é, na verdade, fruto da combinação de informações vindas de diversas áreas do cérebro e não de uma área específica dedicada a criá-las, como se acredita atualmente.

Curiosamente a ideia não é nova. Até 1956 acreditava-se que a memória não estava localizada em nenhuma área específica do cérebro. Naquele ano, tudo começou a mudar com o estudo do cérebro de H. M., um paciente com dano no lobo temporal médio que tinha sérios problemas de memória, mas cujas outras funções cognitivas continuavam a funcionar bem. Ou seja: para os cientistas, a memória passou a estar localizada no no lobo temporal médio. Mas a nova descoberta pode fazer com que os neurocientistas tenham que rever seus conceitos.

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