Expedição refaz viagem de Amundsen ao Polo Sul um século depois

Equipe viajará com esquis e não em trenós puxados por cachorros, pois agora é proibido introduzir espécies estrangeiras na região

EFE |

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Dezembro de 1911: Integrante da expedição de Amundsen posam para foto com cães
Quatro noruegueses estão prontos para iniciar uma viagem ao Polo Sul seguindo o mesmo itinerário que seu compatriota, o mítico explorador polar Roald Amundsen, o primeiro a alcançar o ponto mais austral da Terra.

A expedição, financiada pelas autoridades norueguesas, pretende percorrer cerca de 1,4 mil quilômetros em 57 dias para chegar ao Polo Sul em 14 de dezembro, como fez Amundsen um século antes, uma data que será relembrada em uma cerimônia na qual estará presente o primeiro-ministro da Noruega, Jens Stoltenberg.

As condições meteorológicas impediram o grupo de viajar na terça-feira em um avião do Chile até a Antártida para começar nesta quarta-feira a exploração, mas o atraso não impedirá o cumprimento dos prazos, só irão percorrer mais quilômetros por dia.

Ao contrário de Amundsen, os quatro expedicionários não viajarão em trenós puxados por cachorros, mas sobre esquis, já que agora é proibido introduzir espécies estrangeiras na Antártida.

"Não vamos recriar a viagem que Amundsen e sua equipe fizeram há 100 anos. Mesmo o terreno sendo conhecido e o equipamento moderno, só iremos enfrentar o frio e vento iguais. E ainda os 3 mil metros de altura até o Planalto Antártico", dizem os expedicionários no site do projeto.

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A exploração terá um triplo objetivo, científico, histórico e aventureiro, e será registrada por um documentário para o canal norueguês "TV2", um jornal online e um livro que Stein P. Aasheim, um experiente aventureiro de 60 anos, o mais velho dos quatro, pretende escrever.

Além de Aasheim, o grupo é composto por Jan-Gunnar Winther, diretor do Instituto Polar Norueguês; Harald Dag Jolle, historiador polar; e Vegard Ulvang, explorador e atleta consagrado no esqui com 14 medalhas entre Jogos Olímpicos e Mundiais.

A ideia da expedição foi do alpinista Rolf Bae, que envolveu em seus planos Ulvang e Aasheim. Estes dois levaram o projeto adiante depois da morte de Bae em 2008, quando escalava a montanha K2, no Himalaia.

As autoridades norueguesas e vários patrocinadores privados forneceram os US$ 899 mil do orçamento da expedição, incluída no programa do ano de homenagem a Amundsen e a outro grande explorador polar do país nórdico, Fridtjof Nansen, nascido há 150 anos.

Os quatro membros da expedição se concentraram nas ilhas Svalbard, no Círculo Polar Ártico, para realizar treinos prévios, e viajaram na semana passada a Punta Arenas, no sul do Chile.

Dali, seguirão para Union Glacier, já na Antártida, onde pegarão um voo para avançar 2 mil quilômetros até Framheim, a "casa do Fram", o nome dado por Amundsen à Baía das Baleias em homenagem ao barco que Nansen emprestou para sua viagem.

Esta não é a única expedição que este ano homenageia Amundsen. Outra liderada pelo aventureiro norueguês Jarle Andhoy há alguns meses terminou com três de seus cinco exploradores mortos e seu barco desaparecido no Oceano Antártico, em meio a críticas de que desrespeitava as normas de segurança.

Amundsen, que seria o primeiro homem a atravessar a passagem do Noroeste, que liga o Atlântico ao Pacífico, começou a criar sua lenda como explorador em 1911, quando derrotou a expedição britânica liderada por Robert Falcon Scott na corrida para chegar pela primeira vez ao Polo Sul.

A escolha do meio de transporte na época - trenós puxados por cachorros groenlandeses ao invés dos cavalos mongóis - foi crucial para a vitória de Amundsen, que sacrificou vários cães antes de chegar ao Polo e armazenou a carne para o retorno, o que diminuiu o peso e garantiu a alimentação dos animais na volta.

Menos habituados a temperaturas extremas, os cavalos de Scott tinham de carregar também sacos de aveia para se alimentar, o que aumentava seu peso. Todos morreram antes do tempo e a expedição britânica teve de continuar sem os animais. Scott e seus homens atingiram seu objetivo dias depois de Amundsen, mas morreram na viagem de volta.

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