Evento de astronomia no Rio discute origem do universo

Duília de Mello, pesquisadora brasileira na Nasa, vai falar sobre as bolhas azuis, estrelas isoladas que estão fora das galáxias

Luisa Girão, iG Rio de Janeiro |

A Rio volta a ser palco de debates sobre as mais recentes descobertas na astronomia com o workshop da série “The Evolving Universe”, na PUC-Rio, que de 15 a 19 de agosto contará com mais de 40 palestras realizadas por pesquisadores da América do Sul, Estados Unidos e Europa. O evento foi idealizado por Duília de Mello, pesquisadora associada da NASA Goddard Space Flight Center e docente da Catholic University of America, junto ao professor Enio Frota da Silveira, do departamento de Física do Centro Técnico Científico da PUC.

“Além de apresentar o que está sendo produzido na área, queremos criar uma maior conexão entre os alunos de astronomia das entidades e uma interação entre essas faculdades”, diz Duília. As palestras vão tratar de assuntos como a evolução química, galáxias distantes, a Via Láctea, evolução das galáxias, evolução estrelar, buracos negros, radiação cósmica em galáxias distantes e a formação da Via Láctea.

Duília dará uma palestra gratuita e aberta ao público, nessa terça-feira (16), às 20h30, no Planetário da Gávea, com o tema “Do Big Bang aos Humanos”, onde ela vai resumir a história do universo e falará sobre a sua mais recente descoberta: as bolhas azuis – estrelas solitárias que estão fora das galáxias.

Em 2008, após usar um satélite da NASA – que só detecta luz ultravioleta – e fazer uma análise mais profunda com o telescópio Hubble, Duília percebeu que as bolhas eram formadas por estrelas bem jovens e azuis. “Quando as galáxias passaram próximas umas das outras, elas deixaram gás na vizinhança e promoveram a formação dessas estrelas azuis ”, explica ela, que é especialista em astronomia extragaláctica.

Nasa: sonho de criança
Foi através do seu trabalho com o telescópio Hubble, inclusive, que a astrônoma foi chamada para trabalhar na agência espacial americana, em março de 2003. “Em 1997 trabalhei no Instituto do Telescópio Espacial Hubble, nos Estados Unidos. Em 2000, fui chamada para ser professora assistente do Observatório de Onsala, na Suécia. Aceitei a oferta, mas após dois anos, queria voltar a morar nos Estados Unidos e comecei a mandar emails para os meus contatos. Foi aí, que surgiu a oportunidade na Nasa. Um sonho de criança”, lembra Duília, que também foi responsável pela descoberta da supernova SN1997D, em 1997, no Chile.

Mesmo sendo responsável por importantes descobertas e trabalhando na principal agência espacial, Duília mantém os pés no chão. “Não sou a primeira brasileira a trabalhar na NASA. No Goddard Space Center, por exemplo, somos seis brasileiros. Não sou tratada diferente dos outros tantos pesquisadores que trabalham lá”, afirma.

Ônibus espaciais
A astrônoma ainda falou sobre o processo de reajuste, que a NASA está passando após aposentar seu programa de ônibus espaciais , com o qual, durante 30 anos , realizou os voos tripulados ao espaço. “É um problema sério porque a NASA ainda não tem um substituto, enquanto a Rússia já desenvolveu. Mas existe um plano, a longo prazo, de reformulação para fazermos voos mais distantes e até pousarmos em asteroides”, defende ela, acrescentando: “A Nasa tem dois projetos de viagem espacial tripulada. Um deles para a Lua e outro para Marte. Inicialmente, falávamos que isso aconteceria entre os anos 2020 e 2037. Mas, na conjuntura atual, não há mais certezas”.

Dois atrás, a cidade do Rio de Janeiro sediou o principal evento de Astronomia do mundo - a Assembléia Geral da União Astronômica Internacional (IAU).

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