Europa deve propor proibição à clonagem de animais

Novas regras deverão vetar a clonagem e importação de clones vivos no continente por cinco anos

The New York Times |

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Got, o primeiro clone de touro de briga, nasceu na Espanha este ano. A possível proibição de clonagem na Europa não afetaria experiências científicas
Reguladores da União Europeia estão se preparando para propor regras sobre animais clonados que seriam mais rigorosas do aqueles adotadas pelos Estados Unidos. Mas as regras procuram evitar tensões comerciais permitindo a importação de alimentos produzidos a partir dos descendentes de clones, bem como de sêmen e embriões de clones para o aprimoramento genético.

O relatório da Comissão Europeia, que deve ser divulgado na terça-feira, vai recomendar a proibição da clonagem de animais na Europa por cinco anos e da importação de clones vivos, segundo uma pessoa envolvida na questão que falou sob condição de anonimato.

As regras, que substituiriam o atual mosaico de legislações e orientações da União Europeia sobre o assunto, se destinam a lidar com a apreensão crescente na Europa a respeito da clonagem e dos alimentos depois que um punhado de criadores na Suíça, Grã-Bretanha e possivelmente outros países, importaram sêmen e embriões de clones ou de sua prole dos Estados Unidos para gerar animais mais produtivos.

Defensores do bem-estar dos animais afirmam que a clonagem resulta em sofrimento, incluindo partos difíceis. Eles também dizem que os animais clonados podem enfrentar problemas de saúde posteriormente.

As regras, caso sejam aprovadas pelos governos dos países membros e pelo Parlamento Europeu, proibiriam o uso de clones como alimentos na Europa. Nos Estados Unidos, o Departamento de Agricultura adotou uma abordagem diferente e pediu aos agricultores que voluntariamente mantenham todos os clones fora do fornecimento de alimentos, por enquanto, para que possa gerenciar uma transição "suave e ordenada" para o mercado.

Relativamente pouca clonagem real está ocorrendo na Europa, em parte porque o processo é caro e o público se mostra cauteloso. Mas o rápido desenvolvimento da indústria em outros lugares preocupa os europeus porque eles compram produtos lácteos e carnes importados provenientes de clonagem em países como Estados Unidos, Canadá e Argentina. Mesmo assim, a Comissão Europeia decidiu contra a proibição de alimentos derivados de descendentes de clones ou o uso de material genético de clones para engravidar outros animais, porque isso seria muito difícil de rastrear e poderia prejudicar as relações comerciais do bloco, segundo a pessoa informada sobre a proposta.

A comissão deverá, no entanto, recomendar maneiras de melhorar o acompanhamento dos materiais genéticos importados.

Defensores do bem-estar animal rejeitam estes argumentos.

A proibição não afetaria a clonagem para fins de pesquisa ou nos casos em que é usada para ajudar a impedir que uma espécie entre em extinção. Mas dependendo de como as regras forem aplicadas, elas poderiam ter um efeito sobre alguns criadores na Europa que já utilizaram a clonagem para produzir touros de briga e que pretendem aplicá-la a outros animais de alto valor, como cavalos.

Em outro sinal das dificuldades na Europa com a biotecnologia, na quinta-feira os governos ameaçaram lançar um plano separado da Comissão que permitiria que países proíbam o cultivo de culturas geneticamente modificadas, dizendo que isso poderia prejudicar a política comercial.

O ataque contra o projeto de lei foi liderado pela França e pela Alemanha, que disseram que isso poderia violar as regras da Organização Mundial do Comércio.

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