Incapacidade de gerar neurônios levou ratos à depressão; suicidas apresenta inflamação em área do cérebro relacionada à emoção

Existe uma relação entre a capacidade de formar novos neurônios na vida adulta e a depressão. Novo estudo realizado com camundongos descobriu que ao bloquear a criação dos novos neurônios na região do cérebro chamada de hipocampo, os animais adultos passaram a apresentar sintomas de depressão.

“Nosso estudo é o primeiro a mostrar que ao inibir a produção natural de novos neurônios aparecem sintomas do tipo depressivos em um modelo animal”, afirmou ao iG Heather Cameron, do Institutos Nacionais de Saúde nos Estados Unidos e principal autora do estudo publicado hoje (3) no periódico científico Nature.

Heather explica que estudos prévios de Ron Duman propunham que havia uma ligação entre a criação de novos neurônios na idade adulta e depressão baseado em uma descoberta de seu grupo de que os medicamentos antidepressivos aumentavam o nascimento de novos neurônios.

Esta relação foi reforçada por outro estudo do pesquisador Rene Hen que mostrou que os efeitos comportamentais dos antidepressivos não estavam presentes em camundongos que não tinham a formação de novos neurônios. “Essas descobertas, porém, indicavam que os novos neurônios tinham um papel no tratamento da depressão, não na causa dela”, disse Heater.

O trabalho de Heater delineou também a forma como isto acontece ao mostrar que os neurônios jovens amortecem as respostas ao estresse. Ao perder as células cerebrais os animais passaram a responder mais fortemente ao estímulo, liberando mais hormônios relacionados ao estresse e aumentando o comportamento depressivo.

“É sabido que o estresse aumenta este tipo de comportamento em animais e predispõe humanos à depressão, mas não era sabido que os neurônios novos no hipocampo estavam relacionados a essas respostas”, explicou Heather.

O próximo passo da pesquisa será aprender mais sobre o caminho que leva a perda de neurônios jovens a aumentar as respostas ao estresse. “Assim poderemos encontrar mais pontos a serem estudados para reverter o processo”, explicou a pesquisadora.

O cérebro dos suicidas
Em outro estudo publicado também nesta quarta-feira (3) no periódico científico Neuropsychopharmacology dois pesquisadores da Universidade McGill, no Canadá, encontraram uma relação entre a depressão e astrocitos, células presentes na substância branca do cérebro que tem a função de nutrir os neurônios.

Ao estudar uma região do cérebro que regula as emoções, Naguib Mechawar e Gustavo Turecki descobriram que os astrocitos presentes na substância branca do cérebro de pessoas com histórico de depressão e que se suicidaram era muito maior do que em pessoas que morreram naturalmente e não tinham histórico da doença.

“Nossas descobertas […] sugerem a existência de um processo inflamatório local no cérebro desses indivíduos [suicidas com histórico de depressão”, afirmou Mechawar ao iG .

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