Estudo questiona impacto de nanopartículas na saúde

Pesquisa americana em galinhas mostrou que exposição a partículas ínfimas prejudicou a absorção de ferro no intestino

AFP |

Experimentos feitos em galinhas levantaram questões sobre o impacto na saúde de nanopartículas, grãos ultrafinos comumente usados em medicamentos e alimentos processados, alertam cientistas.

As galinhas expostas a doses orais elevadas de partículas de poliestireno medindo 50 nanômetros (50 bilionésimos de um metro) absorveram menos ferro em sua dieta, segundo o estudo.

Ao mesmo tempo, as aves que foram expostas cronicamente a estas doses tiveram uma "reestruturação" de suas vilosidades intestinais, projeções microscópicas semelhantes a dedos que desempenham um papel importante na absorção dos nutrientes.

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As mudanças demonstram que as vilosidades aumentaram a área superficial disponível para absorção de ferro.

A absorção intestinal de cálcio, cobre, zinco e vitaminas A, D, E e K também pode ser afetada pela alta exposição às nanopartículas, embora mais estudos sejam necessários para investigar o processo, afirmam os cientistas.

A equipe de cientistas, chefiada por Michael Shuler, da Universidade Cornell, em Nova York, testou as nanopartículas em galinhas como um substituto do intestino humano e também usaram células cultivadas em laboratório para o revestimento das vísceras humanas.

As galinhas receberam quase a mesma dose, equivalente ao peso, que um humano adulto em um país desenvolvido.

"A camada epitelial do intestino é o portão de entrada que as nanopartículas ingeridas precisam atravessar para chegar ao corpo", destacou o artigo, publicado na revista científica Nature Nanotechnology.

"As partículas de poliestireno usadas nestes experimentos geralmente são consideradas não tóxicas, mas sua interação com um processo fisiológico normal sugere um mecanismo potencial para uma resposta crônica, danosa, mas sutil", afirmaram.

Nanopartículas desenvolvidas pela engenharia genética são cada vez mais usadas na forma de óxido de titânio ou silicatos de alumínio em pílulas e na comida, onde são utilizadas como estabilizadoras ou agentes anti-solidificantes em fluidos e cremes.

Em países desenvolvidos, indivíduos podem estar consumindo ao dia um trilhão de partículas manipuladas, variando em escala de finas a ultrafinas, segundo números de um estudo de 2002, citado na pesquisa.

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