Estudo mostra que bagunça aumenta estereótipo

Psicólogos holandeses descobriram que pessoas tendem a ser mais preconceituosas em locais desordenados ou sujos

Alessandro Greco, especial para o iG |

Diederik Staepel
A estação de trem de Utretch. na Holanda, foi utilizada para medir o quanto a arrumação de um local aumenta o preconceito devido a estereótipos
Quanto mais bagunçado um local, maior a tendência ao preconceito de seus frequentadores. Pode parecer que uma coisa não tenha nada a ver com a outra, mas a desordem gera preconceito,  segundo um estudo feito por dois psicólogos holandeses.

A dupla realizou dois experimentos de campo e três estudos de laboratório para chegar a esta conclusão. “De uma certa forma estávamos esperando os resultados que obtivemos, mas ficamos surpresos de ver que os efeitos são tão fortes e consistentes. Achávamos nossas ideias provocativas e arriscadas pois as pessoas não 'sentem' conscientemente a desordem ou ordem com as quais as confrontamos. Se você perguntar a elas se estão cientes do que a situação/ambiente faz com elas a resposta é não.”, explicou ao iG Diederik Stapel, um dos autores do estudo da Universidade de Tilburg, na Holanda.

O motivo do aumento do preconceito, de acordo com a pesquisa publicada por eles na edição desta quinta-feira do periódico Science, é que ambientes bagunçados desestabilizam as pessoas, levando-as a querer mais ordem. “Em situações ou ambientes que ficam, de repente, desordenados como crises econômicas ou terrorismo, as pessoas ficam temporariamente perturbadas e isto aumenta a necessidade de estrutura e consequentemente aumentam sua necessidade de estereótipos”, afirmou Stapel. E completou: “portanto em locais com maior incerteza, desordem, medo ou sensação de falta de controle, pessoas tendem a estereotipar mais [...] Acredito que estes efeitos são importantes e universais porque a necessidade de classificar, ordenar, estruturar e ser capaz de prever é uma das mais básicas e mais centrais do comportamento humano. Talvez mais importante e mais básica do que a necessidade de felicidade e auto-estima.”

Em um dos experimentos de campo, a dupla foi a uma estação de trem durante uma greve de lixeiros. Nela, que estava obviamente suja, os pesquisadores pediram a 40 viajantes para sentar no local e preencher um questionário sobre estereótipos. Perto delas, ficava uma pessoa de outra etnia. Ao repetir, o experimento com a estação estava limpa, Stapel e Siegwart Lindenberg, o outro autor do trabalho, descobriram que as pessoas se sentavam mais longe do “estranho” quando o local estava sujo.

Posteriormente, a dupla fez um experimento semelhante na rua perguntando a 47 pessoas que passavam sobre seus esterótipos e pedindo que doassem para uma entidade chamada “Dinheiro para as Minorias” em dois dias diferentes. No primeiro, um carro estava parado em cima do meio fio, havia uma bicicleta no chão e o o chão da calçada estava quebrado. No dia seguinte, tudo estava perfeitamente arrumado. O resultado foi semelhante ao da estação de trem. As pessoas discriminavam mais e doavam menos quando o local estava bagunçado.

Já no laboratório, a dupla realizou ainda mais três experimentos que confirmaram os testes de campo. Ou seja: seres humanos precisam de ordem. “Isto é baseado na ideia existencialista de que, no final das contas, a vida é um absurdo e muitas coisas ocorrem ao acaso. As pessoas não conseguem lidar com essa situação pois querem sentido, ordem, capacidade de prever. Elas querem que a vida seja previsível porque caso contrário é difícil viver -- por que você subiria em um avião ou em um carro se não tem certeza que o céu não vai cair, que o avião não vai bater ou que o carro não vai bater em uma árvore? No final, todos nós, em maior ou menor grau, precisamos de ordem porque ela torna a vida manejável”, pontuou Staepel.

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