Análise do DNA de parasitas atuais indica que espécies especializadas de piolho já existiam há mais de 75 milhões de anos

Fóssil de piolho de 44 milhões de anos
Vincent S. Smith/Divulgação
Fóssil de piolho de 44 milhões de anos
Ancestrais de vários tipos de piolho que infernizam as aves e mamíferos da atualidade já existiam entre 75 milhões e 100 milhões de anos atrás, em pleno reinado dos dinossauros, indica um estudo que analisou as diferenças genéticas entre 69 espécies atuais do parasita, a fim de criar um relógio biológico da evolução do piolho.

“A idéia básica é que, quanto mais diferentes forem as sequências de DNA, mais distante no passado se encontra o ancestral comum entre dois grupos”, disse um dos autores do trabalho, Kevin P. Johnson, ao iG . O estudo está publicado no periódico britânico Biology Letters .

A extinção dos dinossauros ocorreu há 65 milhões de anos. Se os piolhos já existiam e prosperavam muito antes disso, é possível que tenham infestado esses animais.

“Recentemente, demonstrou-se que muitos grupos de dinossauros tinham penas, ou estruturas semelhantes a penas. Então, parece que os dinossauros teriam sido hospedeiros adequados para os piolhos”, explica Johnson, acrescentando que “nenhum réptil ou anfíbio moderno tem piolhos, o que indica que penas ou pelos são um requisito importante” para o parasita.

Ainda de acordo com Johnson, a antiguidade da diversificação dos grupos de piolho sugere que a diversidade de espécies de mamíferos e aves já era grande, mesmo antes da extinção dos monstros pré-históricos.

Uma teoria propõe que o fim dos dinossauros foi o que abriu oportunidades ecológicas para o surgimento do grande número de espécies de aves e mamíferos que vemos no mundo atual.

Mas, argumenta Johnson, os piolhos de hoje são parasitas altamente especializados, com adaptações específicas para cada tipo de hospedeiro. Se os piolhos começaram a se especializar há mais de 75 milhões de anos, isso poderia ser uma resposta ao aumento da diversidade de mamíferos e aves, que estaria ocorrendo bem debaixo do focinho dos dinossauros.

O pesquisador reconhece, no entanto, que não tem provas disso. “É bem possível que alguns grupos de piolhos tenham pulado dos dinossauros para as aves e mamíferos, ou que os pássaros tenham herdado os piolhos de seus ancestrais dinossauros, e que depois alguns piolhos tenham pulado das aves para os mamíferos”, admite. “Nosso estudo não é capaz de distinguir entre esses cenários. Mas descobrimos que muitos grupos de piolhos já estavam por aí antes de os dinossauros se extinguirem”.

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