Estudo do DNA de mamíferos possibilita descoberta de novos tratamentos médicos

Com o sequenciamento genético, pesquisadores identificam mutações genéticas relacionadas ao câncer e longevidade

Maria Fernanda Ziegler, iG São Paulo |

Joel Sartore / National Geographic Image Sales
Rato-toupeira-pelado: características como resistência ao câncer e longevidade podem dar pistas para novos tratamentos em humanos
Cientistas estão analisando o código genético de animais na busca por insights para novos tratamentos de doenças como câncer e o envelhcimento, por exemplo. O estudo é impulsionado pelo barateamento do sequenciamento genético de um ser vivo. Só nesta a semana o DNA de um roedor e a comparação do genoma de 29 mamíferos foram publicados no periódico científico Nature. Os pesquisadores acreditam que os dois estudos podem servir de linha para novos estudos ou aumentar o entendimento sobre os animais pela comparação do sequenciamento.

Longevidade e resistência ao câncer deram o tom do estudo que mapeou o DNA do rato-toupeira-pelado. O ratinho tem um nível de adaptação surpreendente. Vive cerca de 30 anos, de 5 e 10 vezes mais que outros roedores. Eles se reproduzem até a morte e são resistentes ao câncer, até mesmo aos induzidos por laboratório.

“O que mais me surpreendeu é que embora seja um animal tão fora do comum, seu genoma é muito similar se comparado ao outros roedores tendo, no entanto algumas áreas muito distintas”, disse ao iG Vadim Gladyshed autor do estudo publicado no periódico científico Nature.

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Gladyshed explica que estas áreas muito distintas facilitaram a identificação de possíveis causas genéticas para as características de adaptação tão marcantes destes animais. Análises preliminares foram realizadas pela equipe que identificou os pontos do DNA responsáveis pela resistencia ao câncer e a alta longevidade. O código genético do rato toupeira pelado foi publicado e tem livre acesso para estudo de outros cientistas.

Agora a equipe da Harvard Medical School vai focar análise nos mecanismos do animal contra o envelhecimento, o que pode trazer novos tratamentos para humanos.

RNA também é rei
Pesquisadores do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT) também focaram seu estudo na análise de DNA de mamíferos placentários. Eles analisaram e compararam um montante de 29. Uma das constatações mais importantes, é que o RNA também deve ser considerado no estudo da evolução do genoma.

“Notamos uma grande variação no RNA também, o que faz dele um candidato a análises”, disse ao iG Kerstin Lindblad-Tod, autora de outro estudo também publicado na Nature.

A equipe comparou o genoma de chimpanzés, elefantes, coelhos, ratos golfinhos e humanos. Os pesquisadores acreditam que a comparação pode ajudar no entendimenta da biologia humana e na causa genética de doenças. “O estudo é muito importante por encontrar mutações genéticas como causas comuns a doenças em diferentes mamíferos possibilitando novos estudos para a tratamentos”, disse ao iG Lindblad-Tod.

As duas equipes de pesquisadores concorda que a análise e comparação do genoma de animais abre uma maior possibilidade para tratamento de doenças “Acredito que o a análise do estudo genético pode servir de base para estudos posteriores”, disse Gladyshed.

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