Estudo diz que homem moderno saiu da África antes do imaginado

Artefatos encontrados nos Emirados Árabes sugerem que Homo sapiens migrou para Oriente Médio, Europa e Ásia há 125 mil anos

iG São Paulo |

Science/AAAS
Ferramentas encontradas nos Emirados Árabes mostram que homem moderno saiu da África muito antes que o imaginado
Os seres humanos modernos podem ter deixado a África muito tempo antes e por uma rota diferente do que o imaginado,segundo descobertas anunciadas hoje (27), por uma equipe internacional de cientistas.

Até hoje, paleontólogos e antropólogos aceitavam, ainda que relutantemente, que o Homo sapiens teria saído há cerca de 60 mil anos da África, para o Oriente Médio, Ásia e Europa via o vale do Rio Nilo. Mas a pesquisa liderada por cientistas alemães, publicada hoje na revista especializada Science, aposta que os homens modernos deixaram a África há 125 mil anos passando pelo Mar Vermelho, e deixando vestígios de ferramentas no sítio Jebel Faya, nos Emirados Árabes.

“Não existem muitos caminhos para fora da África. Você pode sair pelo Monte Sinai, ao norte do Mar Vermelho, ou atravessar os estreitos ao sul dele,” explicou Hans-Peter Uerpmann do Centro de Arqueologia Científica da Universidade Eberhard-Karls, em Tübingen, na Alemanha. “Nossa descoberta abre a possibilidade dessa via ao sul, que na nossa opinião, é mais plausível para uma migração em massa do que a rota ao norte,” afirmou, durante uma entrevista coletiva.

Naquela época, segundo os cientistas, a região não era desértica como hoje, e sim com rios, lagos e uma maior cobertura vegetal, com condições ideais para os humanos modernos, que dali teriam seguido depois para o Crescente Fértil e para a Índia.

Eles avaliaram também os registros históricos do nível do mar e das mudanças climáticas da região e concluíram que o Estreito de Bab al-Mandab, que separa a África da Arábia, teria secado o suficiente durante o último período interglacial permitindo a travessia dos homens modernos. Segundo o co-autor Adrian G. Parker, da Universidade Oxford Brookes, o estreito teria entre um e três quilômetros, uma distância fácil de vencer para quem estava acostumado a navegar os lagos e rios africanos.

Os pesquisadores escrevem no artigo que as ferramentas encontradas no sul da Arábia se parecem com as usadas pelos primeiros humanos no nordeste da África, indicando que “inovações tecnológicas não foram necessárias para facilitar a migração para a Arábia”.

(Com informações da AP)

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