Estudo diz caverna de Altamira na Espanha deve continuar fechada

Pinturas rupestres de 14 mil anos correm risco de desaparecer por causa de colônia microbiana provocada por excesso de visitação

Maria Fernanda Ziegler, iG São Paulo |

Pesquisadores afirmam que caso a visitação à caverna de Altamira, no Norte da Espanha volte a ser permitida, as pinturas pré-históricas, declaradas Patrimônio da Humanidade pela Unesco, vão desaparecer. As pinturas da era Paleolítica, que impressionam pelo realismo, se mantiveram intactas até serem atacadas rapidamente por uma colônia microbiana oriundas de fios de cabelo, pedaços de pele de turistas. Na verdade, há risco de elas sumirem mesmo que a visitação continue proibida. De acordo com estudo, se a caverna reabrir ao público haverá aumento de temperatura, umidade e dióxido de carbono e com isto a reativação da colônia que corrói a rocha.

A receita da degradação é simples. As pinturas rupestres permanecem praticamente intactas por mais de 14 mil anos, pois as cavernas profundas formam um ambiente isolado. Até que elas foram descobertas, viraram patrimônio da humanidade e recebiam hordas de visitantes - 175 mil só no ano de 1973 - e rapidamente as pinturas começam a desaparecer. Em 2002, Altamira foi fechada para o público. Desde então ocorre forte pressão para a sua reabertura.

“Desde que a caverna sofreu um surto microbiano, é muito difícil de controlá-lo. Tratamentos comuns, tais como aplicação de biocidas não são eficazes e até mesmo aumenta o crescimento microbiano”, disse ao iG Cesareo Saiz Jimenez do Conselho Espanhol de Pesquisa (IRNAS-CSIC) e um dos autores do artigo publicado nesta semana no periódico científico Science que mapeou o impacto da visitação na caverna. Além da ação de bactérias, os pesquisadores também observaram a presença de fungos.

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Saiz Jimenez explica que geralmente cavernas são ambientes de pobres em nutrientes, com muito pouca conexão com a atmosfera exterior. “A água que pinga na caverna contém menos de 0,5 mg de carbono orgânico total por litro. Esta concentração limita a vida microbiana. Visitas maciças fornecem uma quantidade enorme de matéria orgânica (como fibras de roupas, flocos de pele, cabelos, resíduos de alimentos, etc) que produz um desequilíbrio na comunidade microbiana original adaptada para este ecossistema”, disse.

O estudo fez um mapa da degradação de Altamira e comparou com outros lugares na Europa. O problema principal é que o ambiente deixou de ser isolado. “Estamos estudando várias cavernas na Europa e contaminações microbianas são comuns. Bactérias e fungos crescem em todos os lugares. A extensão da contaminação depende da gestão, sendo a visitação maciça o fator se torna mais agressivo”, disse. 

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