Estudo confirma: povos de fora da África têm genes de Neandertal

Pesquisa confirmou miscigenação entre espécies ao descobrir que parte do cromossomo X de ambas é igual em boa parte da população

Maria Fernanda Ziegler, iG São Paulo |

AP
Estátuas de neandertais em museu alemão: miscigenação com o homem moderno cada vez mais confirmada
Uma nova análise genética confirmou a miscigenação entre seres humanos modernos e neandertais, ao mostrar que todos no planeta, com exceção de pessoas originárias da África Subsaariana, compartilham partes iguais do cromossomo X com a espécie extinta do homínideo. O estudo internacional liderado por Damian Labuda da Universidade de Montreal mostrou que uma seção do cromossomo X de neandertais contém a mesma sequência genética presente em 9% do cromossomo X da população que não é africana.

O estudo afirma que não africanos e neandertais dividem um antecessor comum há meio milhão de anos atrás. “Humanos modernos da África tiveram a chance copular com neandertais apenas quando deixaram o continente, há cerca de 80 ou 50 mil anos. Todos os descendentes desta mistura carregam fragmentos do genoma de neandertais, diferente dos africanos subsaarianos, que permaneceram na África e não de misturaram com os neandertais”, disse.

Os ancestrais dos neandertais deixaram a África há cerca de 400 mil e 800 mil anos, gerando descendentes na Europa e Rússia até serem extintos há cerca de 30 mil anos. Os primeiros humanos modernos deixaram a África há cerca de 80 mil e 50 mil anos. As duas espécies foram contemporâneas na Terra por cerca de 20 mil anos.

Há alguns anos, acreditava-se que o homem moderno e os neandertais nunca haviam se cruzado. Desde o sequenciamento genético dos neandertais , em 2010, uma série de descobertas vem provando justamente o contrário. Ao comparar a o genoma das duas espécies, pesquisadores descobriram que de 1% a 4% do genoma humano (2% de seus genes) provêm do homem de Neandertal.

Já há uma década, a equipe de Labuda identificou parte do DNA do cromossomo X de humanos que pareciam diferentes e se questionaram qual seria sua origem. Com o sequenciamento genético dos neandertais, eles puderam comparar os 600 cromossomos de diferentes partes do mundo com os dos neandertais. 

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