Estudo com babuínos mostra que é estressante ser líder

Análise de níveis hormonais dos macacos mostra que primatas gastam muita energia para serem os melhores de seu grupo

Alessandro Greco, especial para o iG |

© Science/AAAS
Briga entre dois babuínos machos adultos: manter-se no topo é cansativo
Ser um macho dominante tem também suas desvantagens. Ao menos este é o resultado de um estudo feito com babuínos por uma equipe de pesquisadores nos Estados Unidos e na África.
Publicado na edição desta quinta-feira (14) do periódico científico Science, o trabalho mostra que os machos melhor posicionados na hierarquia de seu grupo (chamados de machos alfa) tem níveis de hormônio de estresse mais altos que os de mais abaixo na estrutura social, em especial os logo abaixo deles (chamados de machos beta), independente de eles estarem vivendo em tempos de paz ou de luta.

“Os dados sugerem que os altos níveis de estresse nos machos alfa são fruto do alto custo energético de estar na posição mais elevada da hierarquia, e não a estresse psicológico. Verificamos que os machos alfa estiveram mais envolvidos em lutas dos que os machos beta e que eles despendiam mais tempo vigiando as fêmeas férteis dos que os beta. Essas duas funções gastam muito energia”, explicou ao iG Laurence Gesquiere, da Universidade de Princeton, nos Estados Unidos.

Curiosamente os níveis de hormônio de estresse dos machos em hierarquia mais baixa do que os machos beta é similar aos do machos alfa. O motivo de tanto estresse nos níveis mais baixos da sociedade masculina babuína é, segundo os autores, a busca por comida e outros recursos. Mas, por mais estressante que a posição seja, ser um macho alfa é claramente vantajoso, já que a posição dá melhor acesso à comida e às fêmeas.

A descoberta, feita com base em nove anos de análise das fezes dos babuínos e do comportamento deles, contraria estudos anteriores que haviam mostrado que os machos de hierarquia mais baixa tinham níveis de hormônio de estresse mais alto do que os em posição mais alta em hierarquias estáveis e vice-versa no caso de estruturas sociais instáveis. “O que nossos dados sugerem é que cada posição em uma sociedade de babuínos tem seus custos e benefícios”, afirmou Laurence.

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