Estudo brasileiro ajudará a tratar câncer de pulmão

Descoberta permite aos médicos identificar agressividade do tumor e escolher o melhor tratamento

Bruno Folli, iG São Paulo |

O biólogo e bioquímico Fábio Klamt, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), descobriu um biomarcador que pode ajudar oncologistas na escolha do melhor tratamento contra um tipo de câncer de pulmão que corresponde a 85% dos casos da doença.

Até hoje, os médicos optam inicialmente por tratar a doença com um tipo de quimioterápico chamado alquilante. Se o paciente não apresenta a resposta desejada, outras medicações passam a ser utilizadas. O combate ao câncer, no entanto, é uma verdadeira corrida contra o tempo. “A sobrevida média dos pacientes é de 10 meses”, ressalta Klamt.

Essa estratégia médica de erro e acerto, explica o biólogo, pode permitir um avanço ainda mais veloz do tumor. Após cinco anos de pesquisa, Klamt constatou que a presença de uma proteína chamada cofilina consegue indicar a agressividade do câncer e também se o tumor será resistente ao quimioterápico mais indicado.

“Quanto maior for a quantidade desta proteína, maior a chance de resistência”, esclarece o pesquisador. Após verificar a presença do biomarcador, o oncologista passa a ter respaldo para optar por um tratamento mais agressivo desde o início, sem passar pela fase do erro e acerto. “O uso de quimioterápicos pode aumentar em até 15% a sobrevida do paciente”, afirma o bioquímico.

A descoberta vale para um tipo específico de câncer de pulmões, chamado de células não-pequenas. Para detectar a presença da proteína, Klamt explica que é preciso fazer uma biópsia no paciente e analisar o material colhido. “Estamos agora padronizando a análise com uma técnica simples, que possa ser usada por qualquer laboratório”, afirma.

Segundo o Inca (Instituto Nacional do Câncer), essa variação representa cerca de 85% dos casos. Considerando todos os cânceres de pulmões, o instituto prevê mais de 27 mil novos casos no país, somente em 2010.

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