Estômago de vaca pode servir de base para novos biocombustíveis

Cientistas identificaram enzimas e micróbios que degradam biomassa mas não são ainda cultivados em laboratório

Alessandro Greco, especial para o iG |

Damon Tighe/DOE Joint Genome Institute
Pedaço de grama sendo decomposto por micróbios de estômago de vaca
A próxima geração de biocombustíveis irá utilizar como uma de suas principais matérias-primas resíduos vegetais. Neles está contida uma quantidade imensa de um material chamado de lignocelulose que pode ser processado e transformado em etanol. A questão atual é descobrir qual organismo faz isso da melhor forma.

Cientistas decidiram pedir uma ajudinha para as vacas, mais especificamente para os micróbios estomacais que processam a grama que elas ingerem (que tem um alta dose de lignocelulose). “Sabemos que o estômago das vacas contém uma das mais ricas comunidades de micróbios relacionadas à lignocelulose e organismos que degradam biomassa já foram isolados delas no passado”, explicou ao iG Matthias Heiss, da Universidade Estadual de Washington, nos Estados Unidos, um dos autores do estudo realizado em conjunto com pesquisadores do Joint Genome Institute, do Departamento de Energia dos Estados Unidos, e do Energy Biosciences Institute (EBI).

A pesquisa, publicada na revista Science nesta quinta-feira (27), aprofundou o conhecimento de cerca de 30 mil genes que geram enzimas com possibilidade de degradar biomassa, o primeiro passo para transformar lignocelulose em um biocombustível. O número de genes não surpreendeu os pesquisadores. “Sabíamos do potencial, mas utilizando sequenciamento de DNA conseguimos superar a falta de cultivo [em laboratório] da maioria dos micróbios presentes na natureza. Atualmente apenas de 1% a 5% de todos eles podem ser cultivados em laboratório”, afirmou Heiss.

Na pesquisa os cientistas também fizeram um rascunho do genoma de 15 micróbios que degradam biomassa. Outro resultado do trabalho foi que ele aumentou o número de enzimas conhecidas com potencial de degradar lignocelulose em 30%. “As sequência delas serão disponibilizadas publicamente. Isto irá facilitar a busca de enzimas mais eficientes na degradação de biomassa por qualquer pessoa que tenha interesse no tema”, completou ele.

A estratégia de montagem dos genes desenvolvida pelos pesquisadores pode, segundo Heiss, ser usada para realizar a análise de outros genes e genomas de comunidades de microorganismos que degradam biomassa.

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