Segundo estudo há 6,5 milhões delas em terra e 2,2 milhões na água. No entanto, cerca de 90% delas ainda precisam ser catalogadas

Uma nova estimativa publicada nesta terça-feira no periódico PloS Biology prevê que o número de espécies sobre a Terra é de 8,7 milhões. “O número de espécies no planeta proposto por especialistas é de algo entre 3 milhões e 100 milhões. Nós descobrimos uma forma de estimar com mais precisão este número e chegamos a 8,7 milhões”, afirmou Camilo Mora, da Universidade do Havai, Estados Unidos, principal autor da pesquisa.

A metodologia desenvolvida pela equipe de pesquisadores seria o equivalente a olhar para as pastas de um computador e a partir delas conseguir concluir quantos arquivos há dentro de cada uma delas. “Para alguns pequenos grupos de mamíferos, anfíbios e peixes sabemos o número de espécies. O que fizemos foi aplicar nosso método a eles. Descobrimos que ele prevê muito bem o número de espécies de cada um. É a primeira vez na história que um método tem este nível de validação”, completou Mora.

Veja galeria de fotos com novas espécies descobertas:

O estudo prevê também que destes 8,7 milhões de espécies, 6,5 milhões vivam em terra e 2,2 milhões nos oceanos. Detalhe: nos 253 anos desde sua criação em 1758 pelo sueco Carl Linnaeus, o sistema de descrição de espécies já catalogou 1,25 milhão delas (cerca de 1 milhão em terra e 250 mil na água). Ou seja: 86% das espécies em terra e 91% no mar ainda precisam ser descobertas, descritas e catalogadas.

“É um incrível testamento do narcisismo humano o fato de sabermos que o número de livros na Biblioteca do Congresso dos Estados Unidos no dia 1 de fevereiro de 2011 era de 22.194.656, mas que não sejamos capazes de dizer o número de espécies de animais e plantas com quem dividimos o planeta”, comentou o decano biólogo Robert May, da Universidade de Oxford, em artigo que acompanha o trabalho de Mora no periódico.

Com base nos custos e na mão de obra necessária para descrever uma espécie Mora sugere no artigo que seriam necessários 1,2 mil anos, 300 mil especialistas e US$ 364 bilhões para terminar a catalogação. A boa notícia é que novos métodos estão diminuindo o custo e o tempo necessários para o serviço. A má notícia é que mesmo assim o processo e longo e ninguém sabe se as espécies atualmente vivas ainda estarão por aqui daqui a alguns anos.

O anúncio dos novos números foi feito hoje (23)  pelo Censo da Vida Marinha, nos Estados Unidos.

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