Espírito aventureiro está nos genes, diz estudo

Pesquisa com abelhas mostrou diferenças no cérebro em insetos que buscam comida, e isso pode estar relacionado com comportamento

Alessandro Greco, especial para o iG |

Divulgação/Science
Mudança de neurotransmissores altera comportamento de abelhas
A busca por aventuras e novidades parece ser uma característica determinada pelo cérebro – ao menos das abelhas. Um estudo publicado nesta quinta-feira (8) no periódico científico Science mostrou que essa características está conectada à expressão de certos genes em seus cérebros.

Primeiramente os pesquisadores constataram que havia três grupos de abelhas. Um que saia em busca de comida, outro de moradia e um terceiro que ficava basicamente em casa, na colmeia. Em seguida rearranjaram a posição da comida e observaram exatamente quais saiam em busca de alimento e quais ficavam mais em casa.

Com base nesses dados, fizeram então a análise da expressão de genes em seus cérebros. “Ficamos surpresos de ver diferenças tão grandes na atividade de genes no cérebro entre as abelhas aventureiras e as não aventureiras, pois basicamente os dois grupos fazem o mesmo – cuidam de néctar e pólen – mas de formas diferentes”, afirmou ao iG Gene Robinson, um dos autores do estudo, da Universidade de Illinois, nos Estados Unidos.

Para verificar a diferença de expressão dos genes no cérebro constatada na análise, os pesquisadores trataram abelhas não aventureiras com glutamato, um dos neurotransmissores que estavam mais ativos no cérebro das aventureiras. O resultado foi que as que elas começaram a buscar mais comida fora de casa. O contrário também foi verdadeiro. As aventureiras tratadas com bloqueador de dopamina (outro neurotransmissor) passaram a ficar mais em casa.

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Os pesquisadores sugerem ainda que os genes que levam as abelhas a sair de casa em busca de comida são similares aos genes associados à busca por novidade em humanos. “Mostramos que mesmo comportamentos que parecem muito diferentes entre homens e outros animais podem ter grandes similaridades a nível genético. Busca [por comida] em abelhas e busca por novidade em humanos tem um maquinário genético semelhante”, explicou Robinson.

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