De acordo com pesquisadores, fenômeno traz novas dúvidas sobre efeitos do aquecimento global na Antártida

Rios foram criados pelo aumento da temperatura na geleira
EFE
Rios foram criados pelo aumento da temperatura na geleira
Uma equipe de cientistas brasileiros e chilenos descobriu rios superficiais gerados pelo aumento da temperatura em uma geleira situada a cerca de mil quilômetros do Polo Sul.

O glaciólogo Ricardo Jaña, do Instituto Antártico Chileno (Inach), disse nesta quinta-feira (26) que a descoberta foi "algo inesperado", já que nessa região da Antártida as temperaturas se mantêm quase sempre abaixo de zero.

Os riachos de água podem ser visto em um das geleiras que alimentam à geleira União, uma cordilheira de gelo com cúpulas que superam os quatro mil metros de altura.

Jaña disse que os 17 cientistas que participaram da expedição viram primeiro os rios de água corrente e posteriormente a área congelou-se novamente, o que deixou marcas de erosão na camada mais superficial de gelo.

O especialista explicou que a aparição dos rios se deve à presença de uma área livre de gelo perto da geleira.

"As rochas estão expostas, absorvem o calor e o transferem à neve e ao gelo circundante. O gelo se funde em uma boa proporção e a água forma os riachos", detalhou.

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Para Jaña, este fenômeno traz novas dúvidas sobre os efeitos do aquecimento global na Antártida e será um bom ponto de partida para pesquisas futuras. "O que chama a atenção do fenômeno da mudança climática é a velocidade com a qual acontece nesta parte do planeta", frisou.

O glaciólogo é um dos cientistas chilenos que participaram da expedição Criosfera, liderada por especialistas brasileiros e financiada pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação.

Durante a expedição, os cientistas instalaram e puseram em funcionamento um laboratório automatizado para estudar a atmosfera a apenas 670 quilômetros do Polo Sul.

Além disso, extraíram um pedaço de gelo de cem metros de longitude que permitirá conhecer novos detalhes do clima do passado recente na Antártida.

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