Escavações revelam primeiro colchão pré-histórico

Descoberta na África do Sul mostra que humanos há 77 mil anos já estavam preocupadas com a limpeza de suas cavernas

Maria Fernanda Ziegler, iG São Paulo |

cortesia de Christine Sievrs
Planta aromática era usada como repelente em forragem de cavernas
Há 77 mil anos, humanos já se preocupava em dormir num local limpinho, macio e longe de insetos. Pesquisadores descobriram na África do Sul uma espécie de colchão rudimentar, formado por plantas aromáticas que também servia como repelente. O aparato, encontrado durante escavações na caverna Sidibu, na África do Sul, é a prova mais antiga do uso de vegetação rasteira para dormir.

O “colchão” na verdade era formado por uma fina camada de caules e folhas de um tubérculo fossilizado, chamado junça, coberta por uma fina camada de folhas de Cryptocarya woodii . As folhas desta árvore contêm substâncias químicas com poder inseticida. Antes da descoberta, acreditava-se que os humanos daquela época dormiam diretamente sobre a areia em acampamentos, próximos a fogueiras.

“A forragem de 77 mil anos continha folhas usadas não só pelo cheiro bom, mas também por produtos químicos para repeliam insetos e outras pragas. As pessoas estavam construindo suas camas com essa proteção em mente”, disse ao iG Lyn Wadley, professora de arqueologia da Universidade de Witwatersrand, na África do Sul, e autora do estudo publicado no periódico científico Science.

Cortesia de Marion Bamford
Na imagem, vestígios da forragem usada na caverna da África do Sul
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De acordo com o estudo, a forragem não foi usada apenas para dormir, mas teria proporcionado uma superfície confortável para viver e trabalhar. A limpeza era feita de forma contínua, por meio da queima do colchão pré-histórico – a prática ficou mais intensa só há 73 mil anos, o que sugere o aumento da população.

Da s cavernas, mas limpinho
Como as plantas não foram tecidas nem alteradas, só colocadas no chão, Lyn considera incorreto chamar o aparato de colchão. Para ela o mais interessante da descoberta está no fato do uso de plantas medicinais há 77 milhões de anos. “Duas questões tornam a presença da forragem mais cedo do que imaginávamos muito importante. Primeiro, o uso de plantas medicinais em forragens para repelir insetos. Depois as queimas repetidas, onde é possível analisar as alterações no padrão de assentamento humano na região. Conforme o abrigo passou a ser habitado com maior frequência e aqueles que ocuparam eles tiveram que limpar a sujeira deixada por antigos moradores”, disse.

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