Errar faz idosos aprenderem melhor, diz estudo

Pesquisa canadense mostrou que método de tentativa e erro aumenta desempenho dos mais velhos durante processos de memorização

Maria Fernanda Ziegler, iG São Paulo |

Getty Images
Novo estudo traz mais uma possibilidade de método de aprendizado a idosos
Cometer erros durante o aprendizado também traz benefícios aos idosos. Estudo realizado em Toronto, Canadá, mostrou, pela primeira vez, que idosos podem ter bom desempenho em técnicas de aprendizado por tentativa e erro.

A descoberta vai contramão de estudos anteriores que pregavam que o método de tentativa e erro durante o processo de aprendizagem poderia prejudicar a memória de pessoas mais velhas.

Tradicionalmente e com base nestes estudos anteriores, o ensino para idosos é feito de uma maneira mais passiva, sem a possibilidade de erro, dando a resposta correta. A pesquisadora do Centro de Cuidados Geriátricos Baycrest Andreé-Ann Cyr explica que eles mostravam o contrario por fazerem testes com informações mais complexas. “Descobrimos que em algumas situações a tentativa e erro pode ser boa, enquanto em outras não é ruim. Nosso próximo passo é determinar com maior exatidão que situações são estas”, disse.

Andreé-Ann afirma também, que por esta variação em relação à complexidade dos temas, os estudos anteriores ainda não são considerados errados. A pesquisadora dá como exemplo o ensino das capitais do mundo.

Tradicionalmente para idosos, o mais indicado seria dizer que o nome do país e logo em seguida o nome da capital, reduzindo a possibilidade de erro. “Nosso estudo mostrou que nestes casos, pode haver uma relação muito grande entre o erro e as informações corretas que devem ser lembradas e o erro pode trazer benefícios para o processo de aprendizado”, disse ao iG .

Porém, Andreé-Ann afirma que para questões mais complexas como aprender uma língua, “aparentemente o aprendizado por tentativa e erro não é o mais indicado“, disse.

Nos testes os pesquisadores compararam o desempenho de dois grupos. Um formado por voluntários de 20 anos e o outro por idosos de 70 anos. Aos dois grupos foram passados exercícios de memorização por tentativa e erro e de aprendizado sem erro. Em um teste, os pesquisadores davam dicas em relação a uma palavra, como Canberra, para a palavra correta Austrália. No teste sem ser de tentativa e erro, a segunda palavra era apresentada.

Depois de um tempo, os participantes tinham de lembrar as palavras apresentadas. Os dois grupos tiveram melhor desempenho nos testes de tentativa e erro. Para os idosos a melhora nos testes de tentativa e erro foi 2,5 vezes mais que em relação aos mais jovens.

Andreé-Ann acredita que seu estudo terá grandes aplicações em processos de reabilitação e de redução da perda da memória para idosos.

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