Energia nuclear vai ficar mais cara e terá mais pesquisa

Especialista afirma que mesmo com catástrofe em Fukushima, projetos para construção de novas plantas continuam pelo mundo

Maria Fernanda Ziegler, enviada a Goiânia |

A catástrofe de Fukushima não vai acabar com a energia nuclear no mundo, mas vai ficar mais caro construir usinas. Esta é a opinião de Odilon Marcuzzo do Canto, presidente da seção latino americana da Sociedade Nuclear Americana (LAS/ANS). Antes do Japão ser atingido por um terremoto e um tsunami, estava prevista a construção de 53 novas usinas pelo mundo, mas Canto afirma que, em menos de um ano, países que tinham suspendido seus planos após os reatores de Fukushima terem sido atingidos pela onda gigante, já afirmaram que vão dar continuidade aos seus projetos, como o caso das 27 plantas na China, as sete da Rússia e as seis da Coréia do Sul.

O pesquisador acredita que vai ocorrer um incentivo na pesquisa de reatores mais seguros, com mais recursos para o desenvolvimento de novas tecnologias e de reuso de rejeito de usinas para a geração de energia. Em contrapartida, os elementos ligados à segurança nuclear vão fazer com que o custo de investimento inicial (que já é bastante alto) para a construção de novas plantas aumente ainda mais. "O que já era caro vai ficar ainda mais, mas há uma forte demanda", diz Canto.

“O mundo está sedento por energia. Temos humanos usando menos de 1 megawatts/ano. Precisamos trazer esta massa para uma vida mais qualificada. Há uma relação direta entre o consumo de energia elétrica e o índice de desenvolvimento humano”, disse o especialista durante apresentação na 63ª reunião anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência, que acontece nesta semana em Goiânia.

Há uma forte desigualdade em relação ao acesso de energia elétrica. Canto afirma que moradores de países mais desenvolvidos usam em média 17 megawatts/hora. No Brasil, o consumo não chega a 2,5 megawatts/ano por habitante.

“Fica bonito falar em eólica como amiga do meio ambiente. Mas se olharmos o que é preciso para construir células fotovoltaicas ou turbinas de energia eólica, fica claro que elas deixam uma pegada de carbono muito grande. Energias alternativas são necessárias para determinadas finalidades, só que quando existe uma demanda muito grande, é preciso uma fonte que tenha alta densidade de energia, que é o caso da energia nuclear”, disse.

Na defesa da energia nuclear, Canto explica que a energia nuclear voltou a fazer parte da agenda nacional por ser de baixa emissão de carbono. “Chernobyl tinha erros graves, explodiu quimicamente. Os reatores hoje no mundo não têm esta possibilidade de explosão”, disse. Mas com Fukushima, o patamar de segurança ganho com o tempo foi abalado novamente. A usina japonesa não foi construída para suportar um terremoto de magnitude de 9 graus.

Brasil
Canto também não descarta a possibilidade de novas usinas no Brasil. Para ele, embora a energia nuclear não seja prioritária, é o tipo de energia que não se pode abrir mão. Ele explica que Brasil, Rússia e Estados Unidos são os três países no mundo com grandes montantes de minério de urano e com tecnologia e conhecimento necessário para a geração de energia a partir desta fonte. “Acho que parar é um crime lesa-pátria. Já somos o sexto país em urânio, e só prospectamos um terço do território, estudos dizem que temos muito mais e poderíamos estar em segundo lugar”, disse.

Mesmo assim, ele afirma que o Brasil não deve colocar a energia nuclear como prioridade já que a matriz energética do país é muito plural. Em relação às usinas de Angra, no Estado do Rio, o pesquisador vê os dois lados da moeda. “A boa noticia é que estamos livres de terremotos e maremotos. A má noticia é que angra está em áreas de deslizamento. Estes parâmetros estão sendo revisados”.

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