Encontrado crânio de predador que vivia há 260 milhões de anos no Brasil

Carnívoro mais antigo da América do Sul apresenta semelhanças com animais que habitavam a Rússia

Maria Fernada Ziegler, iG São Paulo |

Divulgação
Animal media três metros de comprimento e pesava mais que um leão
Pesquisadores encontraram o fóssil de uma nova espécie de predador da era Paleozóica em um sítio em São Gabriel, no Rio Grande do Sul. O animal viveu no sul do Brasil muito antes dos dinossauros e a análise do fóssil traz informações importantes de como era o cenário da região há mais de 260 milhões de anos, pois o Pampaphoneus biccai é o mais antigo carnívoro terrestre encontrado na América do Sul.

A análise do crânio do animal mostrou que ele media aproximadamente três metros de comprimento e pesava mais que um leão. De acordo com os pesquisadores, apesar do aspecto geral, ele não era um réptil, nem um dinossauro. Análises dos ossos mostraram que se trata de um terápsido – animal da linhagem que deu origem aos mamíferos atuais.

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Os terápsidos habitavam a Rússia, Casaquistão, China e África do Sul. De acordo com Juan Carlos Cisneros, da Universidade Federal do Piauí e um dos autores do estudo, a semelhança entre Pampaphoneus bicca i e outros animais que habitavam outras regiões do planeta indica que a fauna terrestres do supercontinente Pangea tinham uma distribuição global já há 260 milhões de anos. Cisneros afirma que normalmente é aceito que os animais passaram a se dispersar no Triássico, entre 251 e 199 milhões de anos atrás.

“Na Era Paleozóica - entre 540 milhões e 250 milhões de anos atrás - o fato de os continentes estarem se juntando contribuiu para uma troca entre a fauna e a flora destas regiões que hoje são tão distantes no globo”, disse Juan carlos Cisneros, um dos autores do estudo publicado no periódico científico Proceedings of the National Science.

Fósseis de animais do período do Pampaphoneus biccai são raros em todo o mundo. Estudos anteriores identificaram fósseis de herbívoros daquela época, como o pareiassauros e o anomodonte Tiarajudens eccentricus . Cisneros acredita que com a descoberta de um grande predador será mais fácil obter um panorama do ecossistema naquele período.

Ainda é preciso fazer mais análises no animal. “Ainda não sabemos se ele punha ovos, tinha pelos ou sangue quente”, afirma Cisneros. A espécie recebeu o nome de Pampaphoneus biccai, que significa “matador dos pampas”. O nome da espécie, biccai , é uma homenagem a José Bicca,proprietário da fazenda onde foi realizado o achado em 2008.

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