Empresária, que chegou a pesar 32 quilos com doença, transforma motivo do problema em lucro

SÃO PAULO ¿ A empresária Marilis Maldonado Moraes, de 47 anos, sofria de anemia, gastrite, intestino preso e crises de diarréia. Em janeiro de 1996, após cirurgia para a retirada da vesícula biliar, começou a ter fortes crises de diarréia e vômito - oito vezes ao dia. Pesando 32 quilos, internada com aneuroxia nervosa, o diagnóstico de Doença Celíaca foi confirmado. Diante do que para muitos seria um problema, Marilis viu uma oportunidade de ajudar outras pessoas ¿ fundou em 2001 a Sem Glúten, pequena empresa que possui uma linha de 30 produtos especiais para celíacos.

Carolina Garcia, do Último Segundo |

Logo após a descoberta de ser intolerante ao glúten e que teria que passar por uma educação alimentar, Marilis entrou em depressão. No começo bateu um desespero, meu mundo desabou. A ajuda do psiquiatra foi muito importante para eu superar essa fase".

Marilis foi encaminhada para um nutricionista com 34 quilos. Depois de seis meses seguindo uma dieta sem glúten, ganhou 10 quilos de maneira saudável.  Não achava justo não ser convidada a encontros em bares com amigos, almoços em família e festas de aniversários só porque não posso consumir aqueles cereais proibidos.


Marilis perdeu muito peso por causa da doença / Arquivo pessoal

Sem Glúten

Ex-publicitária, Marilis estava afastada da empresa por conta da doença. Estava sabendo que ia ser mandada embora. Decidi fazer vários cursos de culinária, pois criando novas receitas, poderia diversificar o meu cardápio.

Voluntária da Associação dos Celíacos do Brasil, a Acelbra, Marilis levou a sua primeira receita, o pão sem glúten, nas reuniões do grupo. Como foi muito aceito, os voluntários da associação pediam para que eu criasse outras receitas.

Marilis então foi para os Estados Unidos, onde melhorou o sabor do seu pão e logo depois viajou para a Argentina. Lá aprendi a fazer a base da bolacha, com ela criei a bolacha recheada. Até hoje, é o produto mais vendido da minha empresa.

Com tantos pedidos, em 2001, a Sem Glúten - uma cozinha experimental se transformava em uma empresa. Marilis conta que chegava a trabalhar de madrugada para produzir os 30 produtos lançados. Não esperava aquela aceitação. Há dez anos, os celíacos só comiam pão de queijo, biscoito de polvilho e o que a pessoa conseguia preparar em casa.

A empresária explica que seu principal objetivo é mostrar para os clientes que eles não precisam abandonar a vida social. Eu procuro total atenção ao cliente. A pessoa quando acaba de descobrir que é celíaca fica totalmente desorientada, como aconteceu comigo. Sempre mostro dicas, dou apoio e sempre enfatizo que ela não precisa deixar de sair com amigos e ir em festas.

A empresa Sem Glúten, com mais de 100 produtos disponíveis para venda, oferece alimentos que além de servirem para os celíacos são adaptados para pessoas que possuem outro tipo de alergia, como ao leite e ao açúcar. Recebemos várias ligações, onde os clientes explicam suas alergias. Se a pessoa possuir um quadro muito complicado, ligamos para o médico dela para perguntar se pode consumir o nosso produto.

Novo mercado

Muitos acreditam que este mercado de alimentos sem glúten é novo e promissor. Almir Correa Morais, marido e sócio da Marilis, afirmou que o concorrente da Sem Glúten é o próprio celíaco. Tem pessoas que fazem pão em casa. Acredito que este mercado está crescendo. Na Europa e nos EUA é notável a produção de produtos direcionados para os celíacos e intolerantes. Esse mercado tem muito a crescer no Brasil, a demanda é grande.

Para a nutricionista Gláucia Padovan, ainda existem poucas opções de produtos industrializados para as pessoas intolerantes. A indústria alimentícia já percebeu que existe um  público enorme que precisa desse alimento especial. Em breve, teremos uma oferta maior deste tipo de produto.

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