Tecnologia pode ser a base para a produção do biocombustível em larga escala

Alga armazena açúcares que podem ser convertidos em biocombustível
Bio Architecture Lab
Alga armazena açúcares que podem ser convertidos em biocombustível
Pesquisadores criaram uma plataforma biotecnológica para a produção de etanol a partir de algas castanhas. Eles projetaram um micróbio capaz de extrair todos os principais açúcares das algas e convertê-los em combustíveis renováveis. O estudo foi publicado no periódico científico Science.

A equipe liderada por Yasuo Yoshikuni, da empresa Bio Architecture Lab, modificou a bactéria Escherichia coli (E.coli) para que ela digerisse o polissacarideo (açúcar) das algas -cerca de 60% da biomassa de uma alga seca é feita de carboidratos e aproximadamente 50% é alginato. Os cientistas uniram à E.coli um pedaço de DNA do Vibrio splendidus que tinha enzimas capazes de transportar e metabolizar o alginato. Ao mesmo tempo modificaram a E. coli para que ela produzisse proteínas que transportassem o alginato depois de “quebrado” e também fizesse a síntese do etanol.

Há mais de 30 anos os cientistas buscam criar biocombustíveis a partir de algas. A tecnologia necessária, porém, nunca avançou o suficiente para que se tivesse uma produção sustentável. O interesse pelas algas não é à toa. Elas têm uma grande quantidade de açúcar e não compete com sementes usadas para alimentação por água e solo.

“O uso de algas como base para a conversão em biocombustíveis e compostos químicos está limitado primariamente pela falta de microrganismos que possam metabolizar polissacarídeos alginato”, afirmam os pesquisadores no artigo. O próximo passo agora é começar a testar a viabilidade técnica de realizar o processo em grande escala.

Leia mais:
Nova técnica quer converter casca de laranja em biocombustível
Estômago de vaca pode servir de base para novos biocombustíveis
Escherichia coli: uma vilã que salva milhões de vidas

De acordo com o estudo, algas marinhas são a matéria-prima ideal para a produção comercial de biocombustíveis e produtos químicos renováveis pois, além do elevado teor de açúcar não exige terras aráveis ou de água doce para crescer – ela não compete com as lavouras de alimento. No mundo, pelo menos 3 % das águas costeiras podem produzir algas capazes de substituir mais de 60 bilhões de galões de combustíveis fósseis.

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.