Empresa produz etanol de alga com a “ajuda” da bacteria E. coli

Tecnologia pode ser a base para a produção do biocombustível em larga escala

Alessandro Greco, especial iG |

Bio Architecture Lab
Alga armazena açúcares que podem ser convertidos em biocombustível
Pesquisadores criaram uma plataforma biotecnológica para a produção de etanol a partir de algas castanhas. Eles projetaram um micróbio capaz de extrair todos os principais açúcares das algas e convertê-los em combustíveis renováveis. O estudo foi publicado no periódico científico Science.

A equipe liderada por Yasuo Yoshikuni, da empresa Bio Architecture Lab, modificou a bactéria Escherichia coli (E.coli) para que ela digerisse o polissacarideo (açúcar) das algas -cerca de 60% da biomassa de uma alga seca é feita de carboidratos e aproximadamente 50% é alginato. Os cientistas uniram à E.coli um pedaço de DNA do Vibrio splendidus que tinha enzimas capazes de transportar e metabolizar o alginato. Ao mesmo tempo modificaram a E. coli para que ela produzisse proteínas que transportassem o alginato depois de “quebrado” e também fizesse a síntese do etanol.

Há mais de 30 anos os cientistas buscam criar biocombustíveis a partir de algas. A tecnologia necessária, porém, nunca avançou o suficiente para que se tivesse uma produção sustentável. O interesse pelas algas não é à toa. Elas têm uma grande quantidade de açúcar e não compete com sementes usadas para alimentação por água e solo.

“O uso de algas como base para a conversão em biocombustíveis e compostos químicos está limitado primariamente pela falta de microrganismos que possam metabolizar polissacarídeos alginato”, afirmam os pesquisadores no artigo. O próximo passo agora é começar a testar a viabilidade técnica de realizar o processo em grande escala.

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De acordo com o estudo, algas marinhas são a matéria-prima ideal para a produção comercial de biocombustíveis e produtos químicos renováveis pois, além do elevado teor de açúcar não exige terras aráveis ou de água doce para crescer – ela não compete com as lavouras de alimento. No mundo, pelo menos 3 % das águas costeiras podem produzir algas capazes de substituir mais de 60 bilhões de galões de combustíveis fósseis.

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